Depois de um de ano de non-compete, Alexandre Silvério está de volta ao mercado.

O ex-CIO da AZ Quest reuniu ex-sócios e analistas de outras casas na Tenax Capital, que começou a operar no fim de fevereiro – entre o fim do Carnaval e a invasão da Ucrânia.  

A nova gestora nasce com três fundos: um multimercado macro e dois dedicados ações: um FIA long only e um total return, um multimercado com um viés em equities.  

A Tenax começa com R$ 200 milhões do Rising Stars e tem como meta alcançar R$ 1 bilhão sob gestão até o final deste ano. 

A gestora de Silvério foi o quarto e último investimento do Rising Stars, o fundo de R$ 770 milhões levantado pelo Itaú para apostar em novas gestoras.

O pilar do processo de investimento da Tenax prevê a troca de análises entre as equipes macro e micro na tomada de decisões. 

A estratégia macro é comandada por Sérgio Silva – um especialista no mercado de juros local que trabalhou com Silvério na AZ Quest – e Vinicius Fukushiro, que foi head of trading para o mercado local no Bank of America e trader de derivativos de câmbio no Citi. 

Na renda variável, Silvério tem dois co-gestores: Rodrigo Mello, que também veio da AZ Quest; e Adriano Thiago, um ex-sócio da Brasil Capital e agora head de research da Tenax. 

A estratégia de ações começou focada no setor financeiro e commodities, mas ao longo de março, depois da sinalização do Banco Central de que a alta da Selic está próxima do fim, a Tevax aumentou sua exposição a companhias cíclicas domésticas. 

“O ano começou com um excelente desempenho da bolsa, com a entrada do investidor estrangeiro nos setores de commodities e financeiro, que são os mais líquidos,” disse Silvério. “Mas acho que daqui para a frente, a tendência é que haja uma migração para as companhias cíclicas domésticas, que ficaram um pouco para trás. Nós já estamos fazendo isso de forma seletiva, e mesmo com o cenário macro mais desafiador.” 

As ações de companhias cíclicas domésticas hoje representam perto de 35% da carteira do fundo long only, e as maiores posições estão em Petz, Grupo Soma, Track&Field e Hypera. 

“Gostamos desses cases específicos de consumo e varejo. São empresas que têm vantagens competitivas nos mercados que atuam e se beneficiam da perspectiva de um ciclo de juros talvez não tão alto,” disse Silvério. No caso da Hypera, ele destaca que o setor é resiliente e a empresa tem um portfólio robusto. 

No setor financeiro, hoje 15% da carteira do long only, a Tenax escolheu Itaú, BTG e XP. O fundo também está com exposição de 15% a commodities, com as maiores posições em 3R e PetroRecôncavo, além de Suzano e Vale. 

O fundo ainda tem 15% de ‘caixa’ ainda atrás de oportunidades, e os 20% restantes estão em empresas defensivas nos setores de saúde, como Hapvida, e utilities, onde a maior aposta é a Equatorial Energia. 

Pouco depois de abrir as portas, a gestora decidiu fazer um ajuste na grafia do seu nome, que mudou de Tnax para Tenax (‘tenacidade’, em latim) para evitar  uma confusão indesejada com a marca da gestora de patrimônio carioca TNA. 

O investimento na Tenax é o único feito pelo Rising Stars numa gestora recém-criada – os investimentos anteriores foram na  Vinland, criada em 2018; na ACE Capital e na Blueline, ambas de 2019. 

O Rising Stars – um fundo fechado de 10 anos em que os investidores recebem a variação das cotas mas também uma participação na receita das gestoras – é uma parceria da Itaú Asset Management com a área de Fund of Funds do banco. 

Alexandre disse que o investimento do fundo fez com que, além do seed money, a Tenax consiga atrair mais talentos e ter uma expansão mais acelerada. 

A Tenax tem 22 colaboradores e 9 sócios, que formam o comitê executivo.