Empresas de wealth management – incluindo Charles Schwab e a LPL Financial – despencaram hoje na Bolsa americana, entrando para a lista cada vez mais longa de setores atingidos por preocupações com o potencial disruptivo da AI sobre seus negócios. 

No Brasil, o movimento parece ter respingado sobre o BTG Pactual, que fechou em queda de 2,49%, e a XP, cuja ação, listada na Nasdaq, tombou 2,7%. 

O movimento de hoje foi disparado pelo furor em torno de uma ferramenta de AI lançada pela startup Altruist Corp que cria estratégias tributárias para clientes em poucos minutos. 

“O selloff parece ligado a temores mais amplos com a disrupção da AI sobre a assessoria financeira e o modelo de wealth management,” disse um analista da Bloomberg Intelligence. 

A preocupação é com a competição dos bots com as empresas de gestão e consultoria financeira, levando a uma compressão de fees no longo prazo e a um potencial aumento da concorrência. 

A ação da Charles Schwab perdeu 7,5% no fim do dia, enquanto a LPL Financial despencou 8,5%. Raymond James e Ameriprise Financial tombaram cerca de 9% e 6%, respectivamente. 

O impacto sobre as gestoras de fortunas vem um dia após um baque nas ações do setor de seguros, associado a um outro novo app de AI, o Insurify. 

Na semana passada, as empresas de software e serviços jurídicos nos EUA haviam sido as vítimas de preocupações similares.

“Os investidores têm estado em alerta para as disrupções da inteligência artificial – e prontos para socar as ações quando percebem ameaças,” escreveu a Barron’s sobre as quedas de hoje. 

“Se antes a onda da AI ajudou diversas empresas, agora ela está forçando Wall Street a ser muito mais seletiva e realmente decidir quem serão os vencedores e perdedores,” um estrategista de ações disse à CNN. 

Um gestor brasileiro disse que achou o movimento um tanto exagerado, principalmente o impacto sobre BTG e XP, porque “o mercado americano é completamente diferente do nosso.” 

“Do que estaríamos falando? Da AI substituir o agente autônomo? Mas já existe roboadvisor faz tempo e nunca pegou,” disse este gestor, embora admitindo que tem sido difícil entender esses movimentos nos mercados.

O BTG reportou resultados na véspera, com um lucro líquido de R$ 16,7 bi em 2025, um crescimento de 35% ano contra ano. A área de wealth management “apresentou desempenho excepcional, com receitas de R$ 5 bilhões,” disse o BTG. 

Já a XP tem apostado em uma plataforma B2B de gestão de fortunas. A XP Wealth Services cresceu 80% em menos de dois anos e alcançou R$ 180 bilhões sob custódia, segundo publicação recente do Neofeed.