A Samsung vai dobrar a sua base de aparelhos da linha Galaxy AI – e o grande beneficiário deve ser o Google.
A gigante sul-coreana, que disputa com a Apple a liderança mundial na produção de smartphones e detém cerca de 20% deste mercado, confirmou que continuará usando o Gemini, do Google, como o principal sistema por trás dos recursos de AI on-device de seus telefones e tablets.
O total de aparelhos Galaxy AI (tablets e smartphones) em uso deve passar de 400 milhões no final do ano passado para 800 milhões neste ano.
“Vamos aplicar os recursos de AI a todos os produtos, todas as funções e todos os serviços o mais rápido possível,” disse à Reuters o executivo TM Roh, em sua primeira entrevista desde que se tornou co-CEO da Samsung Electronics em novembro.
A Samsung já é a maior cliente da plataforma Android, da Alphabet – a controladora do Google. Ao contribuir com a popularização do Gemini, ela deverá dar um impulso para o desenvolvimento do sistema de AI em sua disputa com o ChatGPT, da OpenAI, e com outras ferramentas de inteligência artificial – inclusive os chineses.
A parceria com o Google vai se estender também para os aparelhos de TV, além de eletrodomésticos e aplicativos para a automação de residências. As novidades serão apresentadas na Consumer Electronics Show (CES), em Las Vegas, nesta semana. Assim como acontece nos celulares, os recursos vão se basear tanto na AI própria da Samsung, a Bixby, como no Gemini.
“Embora essa tecnologia possa ainda parecer um pouco duvidosa, dentro de seis meses a um ano essas ferramentas vão se tornar mais difundidas,” afirmou Roh.
As companhias trabalham juntas também no desenvolvimento de óculos inteligentes. Isso significa que o Gemini estará impulsionando recursos de AI em diversas plataformas, comentou o The Information, o que dará ao Google uma vantagem em relação a seus competidores.
“O Google poderá aprimorar o funcionamento dos modelos em uma variedade de tarefas, simplesmente por causa dos dados que obtém ao interagir com tantos consumidores,” disse o site especializado em tecnologia. “Isso deverá tornar os seus modelos ainda mais atraentes para potenciais parceiros comerciais.”

Vale lembrar ainda que a Alphabet, comandada pelo CEO Sundar Pichai, é dona da Waymo, de carros autônomos.
Sob a ameaça de ficar para trás, a OpenAI estuda desenvolver um dispositivo de AI – e até fechou um contrato com o lendário designer Jony Ive, ex-Apple, para isso. Já a Meta vem centrando esforços na evolução de seus óculos inteligentes. A ambição é chegar a um dispositivo que possa destronar os celulares do posto de principal plataforma – e na qual o Google reina.
Nessa corrida, a Apple continua marcando passo. Oficialmente, trabalha na reformulação da Siri, sua assistente de AI. Mas paralelamente, o CEO Tim Cook estuda a possibilidade de usar fornecedores externos para o desenvolvimento de serviços específicos.











