A Rumo está propondo alterar uma cláusula em seu estatuto que limita o direito de voto de seus acionistas em 20% do capital da empresa.

O movimento chamou a atenção do mercado.

A leitura de investidores é que a mudança facilitaria a atração de investidores estratégicos num momento em que a Cosan, a maior acionista da holding de ferrovias, não descarta nenhuma alternativa para se capitalizar. 

A Cosan tem cerca de 30% do capital da Rumo, dos quais 20% por meio de ações e 10% por meio de instrumentos derivativos.

A Cosan pode estar avaliando vender parte de sua participação na companhia como forma de fortalecer sua estrutura de capital.

O fim do limite de 20% ajudaria na atração de um investidor estratégico porque permitiria que esse investidor exercesse 100% de seu poder de voto na companhia. Hoje, se um investidor comprasse, por exemplo, 20% do capital e a Cosan mantivesse 10%, os 30% seriam considerados um bloco (já que estariam vinculados num acordo de acionistas) e o voto total do bloco ficaria restrito a 20%.

A retirada do limite do estatuto ainda precisa ser aprovada na assembleia de acionistas marcada para 28 de abril. A Cosan poderá votar nesta AGE, o que torna a aprovação da mudança altamente provável. 

O estatuto da Cosan também prevê um poison pill de 15%, que obriga quem ultrapassar esse percentual a fazer uma oferta por 100% da empresa a um preço desfavorável. 

Mas o estatuto isenta desse poison pill qualquer investidor que esteja associado à Cosan num acordo de acionistas.

A ação da Rumo acumula queda de 12,4% nos últimos doze meses, com a empresa valendo perto de R$ 30 bilhões na Bolsa. 

Desde meados do ano passado, a Cosan vem buscando formas de se capitalizar com o objetivo declarado de reduzir a zero o endividamento da holding. No final do quarto trimestre, a dívida líquida da Cosan fechou em R$ 9,8 bilhões, uma queda de R$ 14 bilhões em relação ao mesmo período de 2024 — um reflexo de diversas medidas tomadas pela empresa, incluindo a venda de suas ações na Vale e um follow-on de cerca de R$ 10 bi ancorado pelo BTG e Perfin.

A preço de tela, a participação da Cosan na Rumo (30%) vale cerca de R$ 9 bilhões.