A Randoncorp assinou um acordo estimado em R$ 770 milhões com o grupo chileno Arauco para fornecer os vagões ferroviários que transportarão a produção da primeira fábrica da companhia no Brasil.

O acordo tem potencial para multiplicar a receita da vertical Montadora do conglomerado industrial da família Randon em 2026 e 2027.

Os vagões vão rodar nas ferrovias da Rumo, que entrou como interveniente no contrato, e serão entregues entre maio deste ano e novembro do ano que vem. Eles vão atender o chamado Projeto Sucuriú, no município de Inocência (MS), um investimento projetado pela Arauco em US$ 4,6 bilhões.

A Arauco, que também vai operar um terminal portuário associado à operação, já obteve autorização para implantar um ramal ferroviário ligando a fábrica à Malha Norte da Rumo, de quem se tornará cliente.

Estima-se que o ramal permitirá o escoamento de até 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano. A nova planta deve começar a operar até o final de 2027.

O valor do novo contrato se compara a uma receita da Randoncorp com vagões de apenas R$ 40 milhões nos últimos 12 meses, disse Lucas Laghi, que cobre papel e celulose e bens de capital na XP.

O negócio com a Arauco também deve multiplicar em algumas vezes a receita da Randon no segmento em 2026 e 2027, antes projetada em R$ 93 milhões e R$ 81 milhões pela XP. 

O anúncio vem num momento de mercado desaquecido para implementos rodoviários, “mitigando uma potencial deterioração de resultados [da Randoncorp] no curto prazo,” Laghi escreveu em uma nota a clientes.

O contrato tem um valor relevante até mesmo diante do valor de mercado da Randoncorp, hoje em cerca de R$ 1,9 bilhão.

O conglomerado que também controla a Frasle Mobility, de autopeças, perdeu 42,6% de seu valor de mercado em 2025, pressionado por uma taxa de juros que atrapalha as vendas de caminhões e implementos rodoviários, além da fraqueza na demanda do agronegócio ao longo do ano.

A agência de crédito S&P colocou o rating da Randoncorp em perspectiva negativa no começo de outubro, citando a alavancagem acima do esperado e  projetando uma relação entre dívida líquida e EBITDA de 4x ao final de 2025, ante uma expectativa anterior de 2,5x. 

Num relatório recente, a XP citou a deterioração na demanda por caminhões tanto no Brasil quanto nos EUA, embora pontuando que uma linha de financiamento de até R$ 10 bilhões anunciada pelo Governo Lula para aquisição de caminhões novos ou seminovos pode ajudar a mitigar deterioração adicional dos resultados da Randon.

O papel da Randoncorp subiu 3,85% no pregão desta segunda-feira, antes da notícia.