O Plano Real transformou a economia brasileira mas, no começo de 1994, quando a nova moeda ainda era uma ideia a ser implementada, o ceticismo era geral.

A expectativa era de que seria mais um plano – e fracassaria como todas as tentativas anteriores de conter a hiperinflação.

Por isso, muitos bancos e empresas não se prepararam para o que estava por vir – alguns quebraram, e os demais tiveram de correr para se adaptar a uma economia que começava a funcionar como deveria. 

Os bastidores dessa história estão em A moeda que vingou – como o Real transformou o Brasil, o primeiro documentário do Brazil Journal, feito sob a coordenação da jornalista Giuliana Napolitano. Produzido em parceria com a Axon Content, o doc estreia em 30 de junho e tem o patrocínio da Edge, a empresa de soluções para o mercado de gás do grupo Cosan.

A moeda que vingou mostra como a inflação, que chegou a impensáveis 40% ao mês, desorganizou todos os setores da economia — e como o setor privado se modernizou depois da estabilização. 

“O Plano Real foi um desafio porque deu certo,” diz Roberto Setubal, que havia acabado de assumir a presidência do Itaú na época e é um dos entrevistados do doc. A receita inflacionária que respondia por boa parte do lucro das instituições financeiras sumiu, e “os bancos tiveram de aprender a ser bancos”, diz ele.

No varejo, acostumado a remarcar preços diariamente – e na calada da noite para evitar a fiscalização –, o desafio foi entender como “calcular preços que estavam ali para ficar,” diz Ana Maria Diniz, ex-vice-presidente do Grupo Pão de Açúcar.

“Antes disso, a gente operava no financeiro.” O que dava dinheiro mesmo era comprar a prazo e vender à vista – com isso, muitos produtos chegavam ao absurdo de ser vendidos abaixo do custo.

Na indústria, a preocupação com ganhos de eficiência era zero. “Projetos de ganho de produtividade geram uma economia de 5%, e a inflação comia isso em dois dias. Não valia a pena,” diz Antonio Maciel Neto, ex-Ford, Cecrisa e Suzano. “O jogo não era da produtividade, mas de quem era mais esperto lidando com a inflação.”

Com a estabilização, foi preciso correr atrás do tempo perdido. “Muita gente atribuía suas incompetências à inflação. Essas pessoas torciam para ela não acabar,” diz Luiza Helena Trajano, que comandava o Magazine Luiza na transição para o Real.

O documentário mostra ainda a transformação que ocorreu em indústrias como a WEG, o desenvolvimento do mercado imobiliário, o surgimento do setor de turismo, o desembarque dos bancos estrangeiros – e o sumiço dos estaduais.

Foram entrevistados, além dos personagens acima, Luiz Carlos Trabuco, João Carlos Paes Mendonça, Luis Stuhlberger, Décio da Silva, Fabio Barbosa, Maria Silvia Bastos, Candido Bracher, Álvaro Coelho da Fonseca, Guilherme Paulus, José Paim, Cristiane Correa e Antônio Hermann.

O documentário traz ainda a visão de alguns dos idealizadores do Real, os economistas Gustavo Franco e Pérsio Arida, e o depoimento da economista Elena Landau, que coordenou as privatizações do período.

A moeda que vingou é a primeira produção Brazil Journal Originals. O documentário tem quatro episódios, que retratam as mudanças do varejo, do mercado financeiro e da indústria nos 30 anos pós-Real, e trazem ainda os desafios que o Brasil ainda não resolveu, como o gap educacional, o equilíbrio das contas públicas e a modernização da economia.

Os episódios serão publicados todo domingo no site do Brazil Journal.

A moeda que vingou – como o Real transformou o Brasil

Estreia: 30 de junho no Brazil Journal

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