A Passaredo disse que vai entrar na Justiça e acionar o CADE contra o que considera uma posição “antiética” da Azul para “prejudicar a estruturação das operações da empresa em Congonhas.”

O CEO da Passaredo, Eduardo Busch, disse ao Brazil Journal que o departamento de recursos humanos da Azul “tem entrado em contato sistematicamente com todos os pilotos da Passaredo/MAP, oferecendo vagas de ingresso imediato como pilotos de aeronaves a jato.” 

A Azul nega estar assediando funcionários de outras empresas. Diz que amplia seu quadro de tripulantes diariamente e que só este ano serão contratados 2 mil novos tripulantes, entre pilotos e comissários.

“O recrutamento de novas pessoas é feito com os recursos disponíveis no mercado brasileiro e, em alguns casos, os candidatos atuam em outras companhias do setor, como é comum em qualquer indústria,” declarou a empresa.

A Passaredo tem uma estratégia para a aviação regional que a coloca em rota de colisão com a Azul. Fortalecida com a compra da MAP e somando 26 slots em Congonhas, a Passaredo pretende ligar a capital a cidades do interior onde hoje a Azul opera sozinha.

O suposto assédio da Azul acontece num momento em que o mercado está com excesso de pilotos.

Com a falência da Avianca, 642 pilotos foram para a rua. Desde então, mais da metade se recolocou, no Brasil e no exterior. O Sindicato Nacional dos Aeronautas estima ainda haver cerca de 300 pilotos desempregados. 

Com a perspectiva de retomada da economia, as empresas estão contratando. Recentemente, a Latam reuniu 1.000 comandantes em um processo de seleção. A Gol também fez uma seleção para co-pilotos e recebeu 1.800 currículos.

A briga da Azul com a Passaredo começou com a distribuição dos slots de Congonhas. A Azul acionou a Anac e o Decea (Departamento de Controle do Espaço Aéreo) para tentar desqualificar tecnicamente as empresas Passaredo e MAP na disputa pelos slots que eram da Avianca.  Não só a tentativa fracassou, como a Passaredo e a MAP, depois de ganharem os slots, acabaram se unindo. 

“A Azul forçou uma barra enorme tentando impedir o acesso da Passaredo e da MAP ao aeroporto, até o último momento. Uma vez que não tiveram sucesso na pressão política, querem prejudicar a Passaredo tentando sabotar as operações da empresa,” acusa Eduardo. Segundo ele, boa parte dos 60 pilotos da companhia foi contatada por representantes da Azul nos últimos 3 dias.

A Azul já contratou cerca de 800 funcionários que eram da Avianca – mas o número inclui pessoal de terra, que atua em aeroportos pelo país.

A Passaredo disse que vai acionar a Justiça e o CADE alegando concorrência desleal, nos termos do art. 195 da Lei de Propriedade Intelectual, e infração à ordem econômica – art. 36 da Lei 12529.

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