Em meio à pressão para resolver sua estrutura de capital, o Grupo Pão de Açúcar acaba de contratar Pedro Vieira Lima de Albuquerque, um ex-executivo da Kraft Heinz e da Rumo, como seu novo CFO.
Albuquerque assume a função em 1o de março.
O cargo vinha sendo ocupado de forma interina pelo CEO Alexandre Santoro desde o início de janeiro, quando Rafael Russowsky pediu demissão. (Santoro assumiu o comando praticamente na mesma data.)
Albuquerque ficou 11 anos na Kraft Heinz, até junho do ano passado. Foi CFO para Ásia e Pacífico, presidente da operação do Sudeste Asiático, vice-presidente responsável por planejamento global e, mais recentemente, CFO da América do Norte.
Entre 2009 e 2014, atuou na então ALL – hoje Rumo Logística – como tesoureiro, diretor de RI, de novos negócios e planejamento financeiro. Também é conselheiro da espanhola Lucta Flavors and Fragrances.
O principal desafio de Albuquerque é dar uma solução ao endividamento do GPA. Apesar de a margem EBITDA ter aumentado ao longo de 2025, o fluxo de caixa operacional ainda é insuficiente para cobrir despesas operacionais e financeiras.
A dívida bruta chegou a R$ 4 bilhões em setembro. Desse total, R$ 1,5 bilhão vencem neste ano, e a empresa busca alongar os prazos de pagamentos com bancos e debenturistas, pessoas próximas à varejista disseram ao Brazil Journal.
No fim de 2025, o GPA conseguiu alongar uma dívida de R$ 500 milhões com o Rabobank, segundo executivos que acompanharam o processo.
A companhia também reduziu o capex e vem buscando tornar a operação mais eficiente, cortando despesas. Mas quem conhece os números acredita que uma solução de fato depende de um aumento de capital.
Depois de sucessivas mudanças ao longo de 2025, o maior acionista da companhia é o grupo mineiro Coelho Diniz, com 24,6% de participação. Em seguida, vem o Casino, com 22,5%. O investidor Silvio Tini tem cerca de 12%.
Uma AGE foi marcada para 27 de março para discutir mudanças no estatuto social e a eleição de novos conselheiros.
A ação cai 4% desde janeiro e sobe quase 50% em 12 meses.
O GPA vale R$ 1,9 bilhão na Bolsa.











