Os atletas estão obcecados pelos anéis que monitoram indicadores de saúde.
Agora, o mercado vai prestar atenção também.
A Oura – a startup finlandesa líder do efervescente mercado de smart rings – está se preparando para um IPO que deve acontecer ainda este ano, disse o The Information.
Segundo o site, a startup estava com uma receita anualizada de US$ 1,3 bilhão no fim do ano passado, mais que o dobro dos US$ 500 milhões do mesmo período de 2024.
Com mais de 5,5 milhões de anéis vendidos desde 2015, a empresa foi avaliada em US$ 11 bilhões em uma rodada liderada pela Fidelity em outubro; e já levantou US$ 2 bilhões desde a sua fundação.
Os anéis da Oura custam a partir de US$ 349 – e é preciso pagar uma assinatura mensal de US$ 6 ou US$ 70/ano para acessar os dados de sono, stress, coração, atividade física e até ciclo menstrual que o anel coleta.
A Oura disse ao The Information que ainda não tomou uma decisão sobre um possível IPO, mas o movimento parece fazer sentido. A empresa se tornaria uma das poucas opções puras para os investidores acessarem o não tão novo – mas cada vez mais disputado e desenvolvido – mercado de wearables de saúde.
O primeiro medidor de passos comercial, ou pedômetro, surgiu no Japão ainda nos anos 60, enquanto o primeiro relógio capaz de monitorar batimentos cardíacos foi criado pela finlandesa Polar nos anos 80.
No início dos anos 2000 a Garmin já havia inaugurado a era dos relógios com GPS; e, em 2009, a Fitbit (comprada pelo Google em 2021) lançou o primeiro clip de prender na roupa que estimava, além de passos, a qualidade do sono e as calorias queimadas.
Desde então, os produtos do tipo foram ganhando em complexidade e em assertividade, e o Apple Watch, lançado em 2015, massificou a experiência – segundo a empresa de market research IDC, a Apple já vendeu mais de 320 milhões de relógios.
A demanda cresceu consideravelmente no pós-pandemia, com o boom de práticas esportivas como a corrida e o triatlo, e atletas (profissionais e de fim de semana) seguiram buscando novas e melhores opções para monitorar seu corpo.
A Whoop, que vende um bracelete sem display, foi uma das empresas que ganhou mercado nos últimos anos por conta do perfil mais leve e menos invasivo do seu produto se comparado a um relógio.
Agora, os smart rings tentam entregar ainda mais minimalismo com autonomia de bateria e resultados potencialmente superiores, já que os dedos possuem uma pele mais fina que a dos pulsos e artérias importantes passam por ali.
O pitch parece estar funcionando: dos 5,5 milhões de anéis que a Oura já vendeu desde 2015, mais da metade foram no ano passado – o que deu à empresa cerca de 85% de share no mercado americano, disse a IDC ao TechCrunch.
A concorrência é brutal.
As opções do consumidor vão desde a Samsung, com o seu Galaxy Ring, até outras startups focadas em smart rings, como a Ultrahuman, a RingConn e a Aivela, que incluiu comandos gestuais e de toque no seu anel.
É difícil dizer qual é a próxima fronteira do setor, mas a Oura acredita que pode estar na análise combinada entre sinais vitais e exames laboratoriais, algo que a empresa já faz nos EUA em parceria com a rede de laboratórios Quest Diagnostics.
Na Bolsa, a Oura terá a Garmin como um peer direto no setor de wearables, e outras empresas como a Peloton no negócio de assinaturas esportivas. O Strava também está em processo de abertura de capital.











