A Bicycle – a gestora de Marcelo Claure – negociou condições especiais para a ancoragem do IPO do PicPay e, se tudo der certo, poderá dobrar seu capital investido na fintech dos Batista dentro de um ano.
O PicPay busca US$ 400 milhões com uma oferta na Nasdaq. A Bicycle se comprometeu com uma ordem de US$ 75 milhões, com um lock-up de seis meses.

No closing da oferta, a Bicycle vai ganhar, para cada ação adquirida, uma opção de compra de ação do Picpay emitida pela J&F Participações – a controladora da fintech.
Esses warrants darão à Bicycle o direito de comprar da J&F uma ação do PicPay ao mesmo preço do IPO corrigido pelo CPI (a inflação americana) entre o 11º e o 14º mês após o encerramento da oferta. Como a gestora vai comprar as ações detidas pela J&F, não haverá diluição para os demais acionistas do PicPay.
Assim, se a ação do PicPay subir mais que o preço do IPO corrigido pela inflação no período, a Bicycle poderá aumentar a aposta na fintech e reduzir seu preço médio de investimento. Se a ação cair, os warrants viram pó.

Esse tipo de ancoragem, apesar de não ser comum, já aconteceu em outros IPOs de empresas brasileiras, como do banco Inter, ancorado por Atmos e Squadra; e da Smiles, ancorado pela General Atlantic.
Na prática, o controlador está dando um benefício ao investidor para conseguir a ancoragem. “A intenção é usar a marca desse investidor para ajudar na venda do IPO,” disse um analista. “É um pouco arriscado porque outros investidores podem ficar incomodados, quererem esse tipo de opção, ou mesmo ficar de fora da oferta. Mas é uma opção válida este ano por conta da eleição, que traz muita volatilidade ao mercado.”
A J&F terá direito de preferência no caso de a Bicycle desejar vender os warrants. A J&F também terá um lock-up para a venda de ações do PicPay até três meses após a data de exercício dos bônus de subscrição.
Os coordenadores da oferta são o Citi, Bank of America e o Royal Bank of Canada. A oferta deve ser lançada na semana que vem, com pricing esperado no final do mês.











