O Bradesco lucrou R$ 6,5 bilhões no quarto tri, um crescimento de 5% em relação aos três meses anteriores e de 20,6% na comparação anual.

No acumulado de 2025, o lucro aumentou 26,1%para R$ 24,7 bilhões. 

O ROE saiu de 12,7% em dezembro de 2024 para 15,2% no fim do ano passado – superando, segundo o banco, seu custo de capital, um milestone no processo de reestruturação comandado pelo CEO Marcelo Noronha. 

O bottom line ficou dentro do esperado pelo mercado – mas o guidance decepcionou.

Com base nas projeções que o banco divulgou, os analistas passaram a projetar um lucro em torno de R$ 27,5 bilhões para 2026, considerando uma alíquota de imposto ao redor de 19%. Com isso, o ROE ficaria em torno de 15,5%. 

O consenso de mercado indicava um lucro próximo de R$ 29 bilhões para este ano. 

Marcelo Noronha

“O Bradesco entregou uma recuperação importante nos últimos trimestres, mas colheu os low hanging fruits. E os 20% de ROE, chegam quando?”, disse um analista do buyside

O guidance para 2026 prevê uma expansão menor da carteira de crédito – entre 8,5% e 10,5%, frente aos 11% de 2025 –, além de uma alta modesta nas receitas de prestação de serviços (de 3% a 5%) e um aumento das despesas operacionais acima da inflação, entre 6% e 8%. 

O Bradesco estima ainda um crescimento menor do resultado das operações de seguros, de 6% e 8% neste ano – ante os 16,1% de 2025.

“É um ano difícil, faz sentido ser conservador, mas o banco poderia ter guiado melhor o mercado,” disse um analista do sellside

“O guidance ainda aponta uma melhora, dentro daquela evolução step by step de que o Noronha sempre fala, mas mais lenta.” 

Para esse analista, apesar de a ação estar barata, deve cair amanhã. Os ADRs do Bradesco caem quase 6% no after hours. O papel negocia a 1,3x price-to-book e 7,8x o lucro para 2026.

“O mercado cobra mais que o conselho,” disse Noronha na apresentação dos resultados na manhã de 6 de fevereiro.

O CEO lembrou que o plano de reestruturação, que começou a ser implementado há dois anos, dura até 2028 e que o objetivo é aumentar a competitividade no curto e no longo prazo. “Para isso, precisamos investir em time, em tecnologia, não vamos abrir mão disso por nada,” afirmou.

“Se pudermos acelerar em alguma frente, como aconteceu em 2025, vamos fazer isso, mas com o pé no chão, sem comprometer o plano de longo prazo.”

No quarto trimestre, a margem com clientes teve uma expansão de 2,7% no tri a tri e de 18,4% frente ao mesmo período de 2024. 

A margem com mercado foi de R$ 126 milhões no quarto trimestre e de R$ 975 milhões no ano.

A carteira de crédito – que soma R$ 1,1 trilhão – cresceu acima do intervalo do guidance em 2025. O Bradesco projetava uma alta entre 4% e 8% e entregou uma expansão de 11%, puxada pela retomada do segmento de grandes empresas no fim do ano, segundo o banco. 

O resultado das operações de seguros também teve desempenho melhor que o esperado: aumento de 16,1%, acima do guidance entre 9% e 13%. O ROE da seguradora foi de 24,3% e o lucro chegou a R$ 10,1 bilhões em 2025.

As demais linhas do guidance ficaram no topo das estimativas para 2025. As receitas de serviços aumentaram 8,9%, as despesas operacionais subiram 8,5% e a margem financeira líquida chegou a R$ 40 bilhões. 

As provisões cresceram acima do projetado pelo sellside. A inadimplência acima de 90 dias – de 4,1% – ficou estável entre setembro e dezembro, mas aumentou em relação aos 4% registrados no fim de 2024.

A inadimplência entre os clientes pessoas físicas subiu de 5,1% para 5,4% em 12 meses até dezembro, enquanto a taxa de atrasos do segmento de PMEs caiu de 4,4% para 4,1% no período.

A inadimplência caiu e o Bradesco ganhou share no crédito para PMEs: a participação aumentou de 14,9%, no fim de 2024, para 16,6%, em setembro de 2025.