Depois de desistir da compra da Warner Bros Discovery, no que seria o maior M&A da história da indústria de entretenimento, a Netflix está indo em outra direção em sua estratégia de aquisições.

A gigante do streaming anunciou ontem a compra da InterPositive, uma empresa de AI focada em pós-produção cinematográfica que foi criada por Ben Affleck em 2022 e que possui uma dúzia de funcionários.

Os valores da operação – certamente uma ínfima fração dos US$ 83 bi que a empresa ia pagar pela WBD – não foram divulgados; Affleck passará a atuar como consultor da Netflix.

A ferramenta da InterPositive tem travas criativas propositais – já que o ator e diretor acredita que este processo deve continuar restrito ao olhar e julgamento humanos – e foca na otimização de tarefas técnicas de pós-produção, como ajustes de enquadramento e cor e aplicação de efeitos visuais.

A ideia não é fazer filmes do zero, e sim treinar modelos com as próprias filmagens para melhorar a qualidade do produto final e diminuir os seus custos – enquanto a equipe criativa mantém o controle.

A Netflix projetou um gasto de US$ 18 bilhões com conteúdo no ano passado, dos quais até 25% se concentram em efeitos visuais e pós-produção.

Caso os modelos da InterPositive consigam reduzir 10% dos custos, vão gerar uma economia anual de US$ 450 milhões para a companhia, enquanto entregam produtos finais mais coesos e não acionam um botão de pânico na indústria cinematográfica.

Os acionistas não vão querer perder um episódio desta nova temporada.

A Netflix vale US$ 418 bilhões na Bolsa.