O trono já não basta.
A Toto – a maior e mais tecnológica fabricante de vasos sanitários do Japão – vai ganhar muito mais dinheiro se focar seus esforços em AI.
Esta é a tese defendida por uma acionista da empresa – a gestora britânica Palliser Capital – numa carta enviada ao conselho na semana passada e reproduzida pelo Financial Times.
Famosa por suas privadas aquecidas e deliciosamente autolimpantes, a Toto vem se tornando uma “potência em ascensão na produção de cerâmicas avançadas para a fabricação de semicondutores,” disse a Palliser, notando que a tecnologia não está sendo precificada pelo mercado e deveria ser melhor aproveitada pela companhia.
Desde os anos 80 a Toto utiliza seus conhecimentos em cerâmica para fabricar componentes para a indústria de semicondutores – algo que só começou a dar retorno nos últimos anos com o boom de AI mas que já representa 40% do faturamento da empresa.
O possível novo carro-chefe da Toto são os electrostatic chucks: dispositivos feitos para fixar as lâminas de silício (a “tela” onde os circuitos de um chip são desenhados) durante a fabricação dos semicondutores.
A companhia virou referência no desenvolvimento do produto porque sua cerâmica consegue se manter estável mesmo em temperaturas baixíssimas – uma condição essencial para a execução de técnicas avançadas como o cryogenic etching.
Neste processo, as lâminas de silício são resfriadas a temperaturas extremas, abaixo de -100 °C, para que um plasma possa “escavar” ranhuras profundas e criar os circuitos do chip.
Assim são produzidos os chips ultramodernos NAND, que retêm dados até quando não há energia no circuito e possuem centenas de camadas de células de memória “empilhadas”, que têm se tornado essenciais para suportar o processamento de AI.
A Palliser acredita que a Toto está cinco anos à frente de suas concorrentes no negócio, o que pode gerar um crescimento de pelo menos 30% nas receitas da empresa nos próximos dois anos.
A companhia japonesa precisa, no entanto, investir mais no segmento e explicá-lo melhor aos acionistas e ao mercado, disse a gestora, que montou uma posição na Toto há seis meses e já está entre as 20 maiores acionistas, segundo o FT.
A Palliser enxerga um potencial de alta de 55% para a ação da empresa caso ela expanda seus negócios de cerâmica avançada, utilize o caixa de maneira mais eficiente e venda suas participações cruzadas em outros negócios.
Além da Toto, a insuspeita Ajinomoto também virou um case de AI recentemente, disse o FT. Mais conhecida pelo seu tempero umami homônimo, a empresa está fazendo sucesso com uma fita isolante à base de resina que conecta chips e placas-mãe.
A Toto vale ¥ 1,02 trilhão (cerca de US$ 6,5 bilhões) na Bolsa. Em 12 meses, o papel sobe 60%.






