O mercado não digeriu bem o anúncio da Stone de que um de seus fundadores, Eduardo Pontes, está abrindo mão do controle da companhia. 

Em março, Pontes já havia deixado sua posição no conselho da adquirente, cuja ação já caiu 89% desde o pico em fevereiro do ano passado. 

A Stone disse hoje que Pontes vai converter suas ações Classe B, que têm 10x o poder de voto, em ações Classe A, detidas pelo investidor comum.

Com a operação, Pontes e André Street – o outro fundador da Stone – passarão a ter menos de 50% do poder de voto, o que deixará a Stone sem um controlador definido. Por conta disso, a operação precisará ser aprovada pelo Banco Central. 

A Stone é controlada hoje pela HR Holdings, que tem 11% da empresa, mas uma quantidade expressiva de ações Classe B, que dão a ela 51% do poder de voto. A HR Holdings tem outros acionistas além de Pontes e Street.

O analista Gabriel Gusan, do Citi, disse que o anúncio pode levar investidores a questionar se Pontes quer se manter como acionista da companhia, gerando um overhang na ação. 

Eduardo Rosman, do BTG Pactual, disse que há uma visão mais construtiva sobre o que aconteceu: Pontes já estava fora da Stone há muito tempo – ele vem se dedicando à SaltPay, que quer repetir o modelo de adquirência da Stone na Europa. 

Além disso, os otimistas argumentam que, apesar da sinalização não ser ‘ótima’, ela pode acelerar as discussões sobre um M&A, que vem sendo especulado pela imprensa há meses.  

Fontes próximas à Stone disseram ao Brazil Journal que nem um M&A nem uma venda das ações de Pontes fariam sentido hoje dado a queda expressiva da ação. 

Thiago Piau, CEO da Stone, disse que nada muda no dia a dia da companhia: “Continuamos tendo a presença do nosso cofundador Andre Street, como chairman e acionista de referência.” 

O BTG disse que a mudança pode fazer a recuperação da confiança levar mais tempo.

“A Stone tem um grande grupo de sócios que estão lá não apenas porque acreditam na recuperação da empresa, mas também porque querem fazer parte do ‘círculo de capitães’, formado por jovens bilionários cheios de espírito empreendedor”, escreveu Rosman. 

“Com a moral de muitos funcionários-chave já prejudicada pela queda de 89% das ações em relação ao pico, e a mensagem ambígua de hoje, a tripulação toda remará na mesma direção?”, questiona o banco.  

Para o BTG, esse cenário pode fazer com que a Stone tenha que pagar salários maiores ou aumentar a compensação por meio de stock options, o que teria um efeito diluitivo para os acionistas atuais. 

O anúncio da mudança no grupo de controle foi feito na véspera da divulgação do balanço da empresa do primeiro trimestre. 

A ação da Stone fechou em queda de 3,2%.