A Mevo – a startup de prescrição digital de medicamentos e exames – acaba de levantar R$ 95 milhões para contratar mais gente e acelerar seu crescimento.

A rodada – uma ‘extensão da extensão’ da Série B que já captara R$ 140 milhões – foi liderada pela Prosus, a holding de investimentos em tecnologia que controla o iFood e vale US$ 208 bilhões na Bolsa de Amsterdam.

Outros investidores que já estavam no cap table acompanharam a rodada: Matrix Partners (uma gestora de São Francisco que investiu na Apple e Fedex ainda nos anos 70), Jefferson River Capital (o family office de Tony James, o chairman da Costco), Lyrical Partners, Floating Point e Verônica Serra. 

Na Matrix, o general partner da Matrix encarregado do investimento é TJ Parker, que fundou e vendeu a PillPack para a Amazon por US$ 750 milhões em 2018.

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A rodada de hoje ocorre 18 meses depois da Série B, na qual a Mevo levantou R$ 110 milhões junto à Matrix. Três meses depois, veio a primeira extensão, com a Prosus aportando R$ 30 milhões. 

Para a Mevo, o funding levantado em 2024 já era suficiente para garantir sua expansão pela próxima década. Mas um ano depois, a Prosus mostrou interesse em ampliar sua participação e propôs o novo aporte.

“Qual empreendedor vai dizer não para um cheque de um investidor altamente qualificado, que quer aumentar sua participação na empresa?” disse Pedro Dias, o cofundador e CEO da empresa. “Nos últimos 18 meses, a gente entregou o plano de negócio combinado com os acionistas, dobrou todos os números da empresa. Essa rodada reforça a nossa estratégia.”

Com o movimento, a Matrix e a Prosus são os investidores de referência da companhia. A rodada também teve um componente secundário, com a redução de participação de alguns investidores (mas todos seguem no cap table). Ao todo, a Mevo já levantou R$ 340 milhões no mercado em oito exercícios de captação (incluindo extensões). 

⁠A empresa não abre o valuation, mas a rodada teve uma diluição baixa e um preço acima da captação de 2024, disse Pedro.

Com os novos recursos, a companhia deve contratar mais 100 funcionários e acelerar as diferentes verticais. Uma Série C deve acontecer nos próximos 18 meses, disse Pedro, e seria “tipicamente uma captação de cerca de US$ 40 milhões.”

Fundada em 2018, a Mevo foca na popularização da prescrição digital através do B2B.

Os principais clientes da Mevo são os hospitais. A empresa está presente em cerca de 1.100 unidades hospitalares de nomes como Rede D’Or, Hospital Sírio-Libanês e Beneficência Portuguesa. Este ano, apenas os hospitais e clínicas devem gerar 50 milhões de prescrições para a Mevo, contra 35 milhões no ano passado.

Embora atue majoritariamente no setor privado, a startup atende 130 secretarias municipais de saúde, além de prestar serviços ao setor público através de hospitais filantrópicos. Mais de 1,4 milhão de pacientes do SUS já utilizaram uma receita digital da companhia.

Depois da Série B, a empresa passou a ampliar sua base de médicos fora das redes hospitalares. Para isso, comprou no ano passado a concorrente Receita Digital por um valor não revelado.  

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A aquisição dobrou o número de médicos na plataforma da Mevo. Agora são 100 mil médicos ativos, o equivalente a 15% dos profissionais que atuam no País.

Somando todos os canais de atendimento, a empresa estima alcançar 15 milhões de pacientes.

A Mevo não cobra pela prescrição, mas ganha com o que acontece depois do ato médico. Por isso, a startup passou a se relacionar diretamente com a indústria farmacêutica. Já são 20 laboratórios farmacêuticos – e outros 40 em negociação – que pagam pela exposição de sua marca na plataforma da Mevo.

“Somos um complemento à propaganda médica, o que a indústria farmacêutica já faz normalmente, uma extensão da comunicação entre a indústria e o médico,” disse Pedro. 

A empresa não abre seu faturamento. 

O principal canal de monetização da empresa é a Mevo Shop, plataforma de relacionamento com as farmácias. Ao receber uma prescrição, o paciente, além de poder apresentar em uma farmácia física, tem a opção de encomendar o medicamento na Mevo Shop, um marketplace que tem farmácias como Panvel, Venâncio e a sua farmácia própria, a Mevo Farma. No total, são 1600 pontos de venda conectados na plataforma.

A rodada também ocorre num momento importante para o avanço da digitalização das receitas no País. A Anvisa editou em dezembro a norma que permite que remédios controlados  – os dos talões azul e amarelo – possam ser prescritos digitalmente. 

São medicamentos psicotrópicos e inibidores de apetite cuja receita física precisa ser retida pela farmácia. Em fase de transição, a prescrição digital para esses remédios passa a valer no final deste semestre. 

Pedro estima que 5% das prescrições no Brasil englobam os remédios controlados. Uma nova frente para a Mevo monetizar seu negócio.