A Meta assinou contratos com três companhias de geração nuclear nos Estados Unidos para comprar eletricidade que abastecerá seus data centers de AI, ressaltando como a energia atômica entrou de vez no radar das Big Techs.

As ações da Vistra, uma das futuras fornecedoras da dona do Facebook, dispararam 10,5% na Nasdaq com a notícia na sexta-feira. A Oklo saltou 8% na NYSE. A terceira fornecedora da Meta, a TerraPower, não é listada, mas a Constellation, que já assinou contratos com a empresa e com a Microsoft antes, avançou 6%.  

O movimento das ações mostra como os investidores voltaram a se empolgar com o setor nuclear após muitos anos, em meio à aposta de empresas de tecnologia nessas usinas como fonte de energia limpa. A Constellation subiu 60% em 2025.

Os contratos vão permitir prorrogar e expandir a operação de três usinas nucleares, e farão da companhia de Mark Zuckerberg um dos mais significativos compradores de energia nuclear na história dos EUA. Os projetos atrelados à transação devem adicionar 6,6 gigawatts em capacidade até 2035.

O contrato da Microsoft com a Constellation, que envolve a retomada de um reator da usina de Three Mile Island, foi assinado em 2024 e prevê início das operações em 2028.

Os prazos alongados para colocar nova capacidade nuclear em operação explicam a preferência pela reativação de reatores nos EUA, ao invés de usinas construídas do zero. 

Em paralelo, a China tem feito investimentos pesados em novas usinas nucleares, e diversos países têm anunciado projetos e reativação de usinas – até mesmo o Japão, onde ocorreu o desastre de Fukushima em 2011, que desencadeou um longo inverno para a indústria atômica pelo mundo.

O renascimento do setor nuclear tem chamado atenção de investidores para a commodity usada na geração atômica, o urânio.

A gestora Kinea disse em relatórios recentes que está posicionada no urânio e que a estratégia não está associada somente às notícias sobre investimentos de big techs na energia nuclear para sustentar o boom da AI.

“Não é essa a tese do momento. Essas usinas demoram um tempo para vir. Mas você não precisa de uma ‘explosão’ de usinas para o preço do urânio subir”, disse o gestor e sócio da Kinea, Ruy Alves.

“Está cada vez mais difícil fazer minas de urânio por questões ambientais, e ano após ano esse mercado está apertando. Vai chegar um ponto em que vai explodir, como aconteceu com a prata e o ouro. Não sabemos exatamente quando, mas já está começando a subir, o urânio saiu dos níveis de preços abissais do passado.”

Também aumentou a procura por exposição ao setor nuclear por meio de ETFs. No Brasil, o NUCL11 traz exposição a mineradoras de urânio, como Cameco, do Canadá, Kazatomprom, do Cazaquistão, e geradoras nucleares, incluindo a Constellation. São 29 ações dentro da cesta, que tem até fabricantes de reatores e empresas de serviços.

“Esse assunto está em alta, as empresas estão investindo. Vemos a nuclear como um dos grandes temas para o desenvolvimento global, e os investidores querem se expor a essa tese”, disse o CEO da gestora de ETFs Investco, Cauê Mançanares.

O NUCL11 se valorizou 36% em reais entre janeiro e começo de dezembro de 2025.