Josh D’Amaro, o atual chefe da divisão de experiências da Disney, será o novo CEO do reino mágico a partir de 18 de março. 

Assim, a casa do Mickey encerra sua longa busca por um substituto para o veterano Bob Iger – que se arrastou por três anos e pressionou a ação da companhia. 

D’Amaro também assumirá uma cadeira no conselho, enquanto Iger terá um posto de consultor até o fim do seu contrato, em dezembro.

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A nomeação pouco mexeu o ponteiro da empresa na Bolsa. A ação da Disney sobe 0,45% para US$ 104,90 no meio da tarde. Em 12 meses, o papel cai 8%. Em cinco anos, 42%.

Na Disney desde 1998, D’Amaro construiu sua carreira no setor de parques da empresa nos EUA e no exterior, tendo chefiado as operações do Walt Disney World, na Flórida, e da Disneyland, na Califórnia, além de ter atuado como diretor financeiro da área de licenciamento de produtos.

Desde 2020, ele chefia o departamento de experiências da Disney – que engloba parques de diversão, cruzeiros e produtos de consumo, e se tornou o mais lucrativo da empresa nos últimos anos.

Apesar de representar 38% das receitas, a divisão de experiências foi responsável por 57% do lucro da Disney no último ano fiscal, roubando o trono do decadente negócio de TV a cabo.

Após ter navegado o período pandêmico, D’Amaro liderou um processo de expansão do negócio de experiências da Disney, investindo US$ 60 bilhões em um novo parque em Abu Dhabi, na expansão do Magic Kingdom, e na criação de novas atrações e cruzeiros.

Ele também supervisionou o investimento da Disney na Epic Games, a criadora da franquia de jogos Fortnite. O segmento é visto por ele como uma das áreas de maior potencial para a empresa nos próximos anos.

Iger vinha mentorando pessoalmente seus potenciais substitutos, incluindo D’Amaro, numa tentativa de garantir uma transição tranquila após o fracasso de Bob Chapek, que assumiu em 2020 e só ficou dois anos no cargo. 

Dana Walden, a co-chefe do negócio de entretenimento da Disney, também estava no páreo, segundo a Bloomberg.

Pesaram a favor de D’Amaro a compreensão que possui da cultura da Disney, já que trabalha na empresa há três décadas, e a sua desenvoltura em aparições públicas recentes ao lado de Iger e em apresentações a investidores e colaboradores.

Por outro lado, o fato de nunca ter liderado as divisões de cinema e televisão da empresa foi um ponto de preocupação para alguns executivos ao longo do processo, já que é da área criativa que surgem as histórias e personagens que movem a Disney.

Mas D’Amaro tem participado nos últimos anos de processos de outros setores da empresa, o que o preparou para uma eventual promoção.

Walden, que foi recém-promovida a presidente de criação da empresa, deve ajudar a fazer a ponte entre D’Amaro e os talentos da casa e a dar mais robustez ao negócio de streaming da Disney.

“Josh D’Amaro possui aquela rara combinação de liderança inspiradora e inovação, um olhar apurado para oportunidades de crescimento estratégico e uma profunda paixão pela marca Disney e seus funcionários – tudo isso o torna a pessoa certa para assumir o comando como o próximo CEO da Disney,” o chairman da Disney, James Gorman, disse em comunicado.

No comando da Disney, D’Amaro terá que superar alguns desafios, Nancy Tendler, a CIO da boutique Laffer Tengler Investments, disse à revista Barron’s.

Segundo ela, enquanto o serviço de TV a cabo continua em derrocada e o mercado de streaming se torna cada vez mais caro e competitivo, o negócio de experiências pode sofrer com turistas estrangeiros evitando os EUA por questões políticas e a concorrência maior com o lançamento do parque Epic Universe pela Universal no ano passado.

“Mas há muitas oportunidades de crescimento. O serviço de streaming da Disney está crescendo, os parques temáticos estão se expandindo e as linhas de cruzeiro estão ganhando força,” disse Nancy. “Um novo CEO pode ser exatamente o que a Disney precisa para impulsionar essas iniciativas e reconquistar o apoio dos investidores.”

A Disney vale US$ 185 bilhões na Bolsa.