A família Moreira Salles está redesenhando sua participação no Itaú Unibanco.

A movimentação – numa holding um nível acima da IUPAR, que controla o banco – foi desenhada para reconcentrar as participações nos dois núcleos da família envolvidos diretamente com o banco.

Walther e João Moreira Salles – que se dedicam ao cinema – estão vendendo suas participações no banco aos irmãos Fernando e Pedro, e ao sobrinho João, mas continuarão como sócios de todos os outros negócios da família, como a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), produtora de nióbio. 

Pedro e seu filho João estão no conselho do Itaú. Fernando, Pedro e João também são do conselho da IUPAR, o veículo que controla o Itaú com 51,7% das ações ON e 26,22% do capital total. 

A IUPAR tem 66,5% de seu capital nas mãos da Itaúsa, e os 33,5% restantes pertencem à holding Cia E. Johnston de Participações (EJ), um veículo familiar dos Moreira Salles – onde as mudanças societárias estão acontecendo.

O capital da IUPAR é dividido entre ordinárias (detidas em partes iguais por EJ e Itaúsa) e preferenciais, que estão só com a Itaúsa.

Antes do redesenho de hoje, os quatro irmãos tinham participações iguais na EJ, perfazendo 9,4% do capital total do Itaú.  A partir de agora, Fernando terá 50% da EJ, Pedro, 44% e seu filho João, 6%.

O pagamento aos irmãos que saem da EJ será feito ao longo de alguns anos, uma pessoa próxima à família disse ao Brazil Journal. 

Walther Moreira Salles é o diretor por trás de Central do Brasil (1998), Abril Despedaçado (2001) e Diários de Motocicleta (2004). 

João Moreira Salles fundou a revista Piauí e se dedica a causas filantrópicas. No cinema, fez documentários como Nelson Freire (2002), sobre a carreira do pianista brasileiro; Entreatos (2004), sobre a campanha presidencial de Lula, em 2002; e Santiago (2007), um olhar de João sobre o mordomo que trabalhou décadas para a família.