A XP publicou um relatório mantendo sua recomendação de ‘compra’ para Itaú, elevando seu preço-alvo e explicando por que acredita que o banco pode entregar um ROE acima de 25%.
A XP elevou seu preço-alvo de R$ 43 para R$ 45, um upside potencial de 17% em relação ao preço de tela.
“O Itaú tem sido muito vocal sobre sua transformação digital e cultural. Esses investimentos levaram o banco a entregar um NPL, índice de eficiência e ROE ‘best-in-class’ entre os bancos incumbentes do Brasil,” escreveu o analista Bernardo Guttmann.
Para ele, o banco deve dar em breve mais visibilidade sobre seu roadmap de eficiência — provavelmente durante seu Investor Day, em 2 de setembro.
Isso “pode levar a um nova rodada de revisões de estimativas e potencialmente elevar o ROE para acima de 25%.”
Em parte, esse aumento no ROE deve vir de uma redução significativa no custo de servir, diminuindo “a distância em relação às fintechs e, mais importante, tornando alguns nichos de clientes novamente rentáveis.”
Guttmann notou que no final de 2024 cerca de 18% dos funcionários do Itaú eram de tecnologia, em comparação a 30% no Nubank.
“Esses números, que se traduzem em métricas de ‘custo de servir’ muito diferentes, mostram a diferença histórica entre fintechs e incumbentes,” diz o analista. “No entanto, o Itaú tem investido pesado em tecnologia nos últimos anos, o que, na nossa visão, coloca o banco perto do ponto onde uma parcela significativa de seus processos estão prontos para serem digitalizados.”
Em relação à presença física do Itaú, Guttmann disse que esse continua sendo um ativo valioso, dentro de uma estratégia ‘phygital’.
Mas ele ainda espera mais otimização da rede de agências, o que vai se traduzir no tempo numa estrutura de pessoal mais enxuta.
“Esse processo, no entanto, pode ser parcialmente compensado por investimentos contínuos em equipes de TI, exercendo pressão de alta sobre o custo por funcionário. Em nossa visão, a relação cliente-funcionário ainda deve ficar atrás dos ‘neobancos’, mas tem forte potencial para superar a dos seus pares incumbentes à medida que os investimentos em tecnologia do Itaú amadurecerem.”
A XP disse que o ROE de 25% é sua projeção mais otimista, que não está incorporada em seu modelo, sendo um ‘upside risk’ para a tese.
Nas contas da XP, o Itaú negocia hoje a 8,2x seu lucro estimado para o ano que vem e a 1,9x book — um prêmio importante em relação aos peers. Banco do Brasil, Santander e Bradesco negociam a 4,2x e 0,6x; 5,9x e 1x; e 5,8x e 0,8x, respectivamente.
“Mas esse prêmio continua justificado por conta do ROE terminal estruturalmente maior, da forte rentabilidade nas linhas de negócios; do índice de eficiência sólido, e de um track record consistente na alocação de capital.”