Quase seis anos depois de virem à tona as fraudes contábeis praticadas pela antiga administração, o IRB (finalmente) está deixando de olhar para o passado e começando a falar sobre o futuro.
“O turnaround acabou. Nosso resultado de 2025 vai mostrar uma empresa saneada e geradora de caixa, disse o CEO Marcos Falcão. “Agora vamos olhar para expansão e novos negócios.”
Os novos negócios são a abertura de duas seguradoras: uma do ramo de danos gerais de grande risco, outra de vida e previdência. Ambas receberam autorização prévia da SUSEP e a expectativa é que comecem a funcionar até o fim deste semestre.
Com a seguradora de danos gerais, o IRB quer gerar mais negócios para o seu braço de resseguros.
Desde 2017, deixou de existir limite para resseguros intragrupo com seguradoras eventuais – e as multinacionais, buscando sinergia e eficiência, inclusive tributária, passaram as operações de resseguro para o exterior.
Em 2024, dos R$ 31,8 bilhões de prêmios cedidos em resseguros, 75% foram exportados.
“Temos que ir atrás desses prêmios. Nossa ideia ao abrir uma seguradora de grandes riscos é ser mais uma opção,” disse Falcão. “A maior capacidade de resseguro entre todas as empresas estabelecidas no Brasil e na América Latina é nossa.”
A seguradora de danos gerais pode trazer resultados no curto prazo para o IRB. No segmento de vida & previdência, a ideia da companhia é explorar o mercado com calma.
“Em alguns anos muito possivelmente teremos uma nova reforma da previdência. Achamos que temos de entrar nesse segmento até porque conseguimos montar seguradoras com muitas sinergias, reduzindo os custos fixos,” disse Falcão, que conheceu bem o produto quando foi CEO da Icatu Hartford. “ Vamos, com o pé no chão, encontrar um canal de distribuição no qual teremos possibilidade de agregar valor.”
Nos últimos anos, o IRB reduziu sua atuação em resseguro de vida, que chegou a responder por 25% do negócio em 2024. Contratos que não estavam dando bons resultados foram cancelados.
Em dezembro, o IRB anunciou a chegada de Ricardo Siquieri – que atuou por 13 anos na Gen Re, na Alemanha – para comandar o braço de vida e previdência. Segundo Falcão, a expectativa é que o volume de resseguro de vidas volte em dois ou três anos a ter volumes representativos no negócio. “Mas com um underwriting mais bem feito,” disse Falcão.
Segundo o CEO, o IRB voltou a ser atraente no mercado de trabalho. Os analistas do sellside também retomaram a cobertura da ação. “Mudou o clima. Agora ficou divertido trabalhar aqui,” disse Falcão.
Além das seguradoras, o IRB também vai retomar a distribuição de dividendos, que deverá ser de 25% do lucro líquido de 2025. Isso está sendo possível porque no terceiro trimestre, a companhia reportou lucro líquido acumulado e um índice de solvência regulatória de 251%, mostrando que a empresa está com capital em excesso.
Parte dos recursos irá para os dividendos e parte para a constituição das seguradoras – a exigência de capital mínimo é de R$ 18,5 milhões para cada uma delas.
Falcão está no IRB desde novembro de 2022, quando a empresa reportou prejuízo de R$ 630 milhões. A partir de 2023, o IRB voltou ao azul, com lucro de R$ 114 mihões; seguido de R$ 372 milhões em 2024.











