A Inspira — a segunda maior rede de educação básica do Brasil, com 84 escolas e mais de 50 mil alunos — acaba de adquirir o Anglo Leonardo Da Vinci, adicionando seis escolas a seu portfólio e fortalecendo sua presença na cidade de São Paulo. 

A Inspira está comprando 100% do Leonardo Da Vinci, pagando quase metade do total em ações da holding. 

Os três fundadores do Leonardo — Joaquim Roque, o “Jaca”; Sérgio Molina, o “Pita”; e Wagner Valente — vão continuar como executivos da Inspira, à frente da expansão regional da empresa em São Paulo. O trio de professores fundou a rede na década de 1970, quando ela foi a primeira escola do Brasil a adotar o método de ensino Anglo. 

A empresa ainda é um dos principais clientes do sistema de ensino, que pertence à Vasta Educação. (Por ter essa parceria histórica, ela não paga nada para usar a marca Anglo no nome). 

A aquisição aumenta em 15% a receita da Inspira, que vai faturar R$ 435 milhões este ano com um EBITDA de R$ 100 milhões e uma geração de caixa livre de R$ 70 mi. 

Considerando essa aquisição e outras 11 que a Inspira já assinou mas ainda não divulgou, o faturamento proforma deste ano deve chegar a R$ 610 milhões, o CEO e fundador André Aguiar disse ao Brazil Journal. 

Há ainda outras 26 escolas em processo de due diligence. 

“Nosso plano é continuar bem agressivos em aquisições e crescimento orgânico para chegar a uma receita de R$ 1 bilhão no final de 2023,” disse o CEO. “A partir daí, nossa ideia é fazer um IPO.”   

A aquisição de hoje vem um ano e meio depois de um fundo de private equity do BTG injetar R$ 350 milhões na Inspira, comprando pouco mais de 50% da empresa. 

De lá para cá, a Inspira fez outros 15 M&As, gastando R$ 260 milhões e se consolidando como a segunda maior empresa do setor em número de escolas próprias, atrás apenas da Eleva, que tem 150.

André fundou a Inspira em 2017, quando já tinha um currículo extenso na educação básica. No início dos anos 2000, foi um dos fundadores do sistema de ensino Elite, comprado em 2011 pela Gera. Três anos depois, a gestora de Jorge Paulo Lemann fundiu a empresa com a Pensi, dando origem à Eleva Educação.

Depois da fusão, André passou a atuar como COO da Eleva, de onde saiu para criar a Inspira. 

Na época, ele levantou R$ 40 milhões com 40 pessoas físicas e comprou a Physises, uma rede que tinha apenas 2 unidades com 1.100 alunos. Em pouco tempo, expandiu essa escola para 11 unidades com 7 mil alunos e começou uma agenda agressiva de M&As. 

A Inspira mantém a independência educacional das escolas adquiridas e divide o grupo em cinco ‘clusters’, de acordo com o método de ensino.

O primeiro — as chamadas escolas de aprovação — inclui escolas como o Anglo Leonardo Da Vinci, focadas na aprovação dos alunos no vestibular. O segundo ‘cluster’ é o das escolas tradicionais, aquelas com grande infraestrutura, anos de tradição e conteúdo forte, mas que não focam no pré-vestibular.

O terceiro é de escolas humanistas, um grupo que engloba escolas como a Cândido Portinari, em Salvador, e a Novo Tempo, em Santos. Esse tipo de escola é diferente das construtivistas, já que elas “mantêm o planejamento e a estrutura do conteúdo de forma tradicional e podem até usar um sistema de ensino,” disse o CEO.

O quarto cluster é o das escolas internacionais, com currículos bilíngues, e o último das construtivistas

André disse que essa proposta educacional é um dos fatores que diferencia a Inspira da Eleva, que tipicamente padroniza o ensino em todas as suas escolas. O outro diferencial é a visão da Inspira de fazer apenas aquisições estratégicas de “escolas que não estejam à venda.”

“Não fazemos M&As oportunísticos. Queremos adquirir escolas que estejam indo muito bem e que tenham uma visão de expansão e crescimento da marca,” disse André. “Nossa estratégia é comprar marcas fortes locais e fazer a expansão dessas marcas localmente, mantendo a metodologia, as pessoas e os sistemas de ensino.”

Segundo ele, o caso da Anglo Leonardo Da Vinci é um exemplo perfeito disso. “É uma marca muito consolidada e com resultados fortes. Temos conversas com eles desde 2018. Demoramos muito para conseguir concluir porque eles realmente não queriam vender.”