A Inpasa recrutou José Olympio Pereira como o primeiro membro de um conselho consultivo que está sendo montado pelo controlador José Odvar Lopes para construir uma nova governança na empresa.
A contratação de José Olympio – um experiente banqueiro com passagens pelo Credit Suisse e J. Safra – faz parte de um processo de profissionalização mais amplo da empresa, a maior produtora brasileira de etanol de milho.
O movimento acontece após anos em que a Inpasa entrega uma taxa de crescimento que tem sido a inveja do agronegócio. A receita líquida da empresa partiu de R$ 1,7 bilhão em 2020 para R$ 22,8 bilhões no ano passado (veja o gráfico abaixo), e já tem um EBITDA de R$ 7,3 bilhões e um lucro líquido de R$ 5 bilhões.

Em setembro, a Inpasa chegou a anunciar uma JV com a Amaggi para construir pelo menos três usinas de etanol de milho em Mato Grosso, num investimento total de R$ 6,9 bilhões.
Mas pouco mais de um mês depois, as tratativas entre as empresas foram encerradas, e a Amaggi disse que seguiria sozinha no plano de construir as usinas.
O fim da parceria ilustra a dificuldade de “seu Zé”, como o controlador e chairman é conhecido, de criar e manter parcerias – um aspecto que será relevante no momento em que a companhia tenta construir uma governança de empresa pública.

“Objetivamente, a Inpasa não precisa de um IPO para continuar crescendo. Sua geração de caixa mais que dá conta dos investimentos que ela está fazendo,” disse um banker familiarizado com a empresa.
Nos últimos meses, Seu Zé montou uma posição de 10% na Vibra Energia; seu filho, Eder, o CEO da empresa, está na chapa para a próxima eleição do conselho.
Operando no Paraguai desde sua fundação em 2007, a Inpasa entrou no mercado brasileiro em 2018 com um business plan de três anos que resultaria em um IPO.
O objetivo era replicar o modelo desenvolvido no Paraguai – EBITDA de 20% e margem líquida de 10% – mas os números da operação brasileira foram muito superiores.
No primeiro ano, a margem líquida já foi 44%; e de 40% no segundo. Com o tempo, o IPO já não parecia mais necessário aos olhos de Seu Zé.
Além disso, para ele e os executivos da Inpasa, o mercado não sabia precificar adequadamente o negócio do etanol de milho naquele momento. Os bancos sugeriam em 2018 múltiplos de cerca de 8x, mesmo patamar das usinas de cana.
Segundo uma fonte com trânsito na Inpasa, a tese era de que o etanol de milho e seus subprodutos – como o DDG para alimentação animal – eram altamente lucrativos e mereciam um múltiplo de 14x.
Depois de oito anos de operação no País, a capacidade de esmagamento de grãos chegou a 13 milhões de toneladas por ano, com cinco usinas em operação no Centro-Oeste e uma produção de 6,2 bilhões de litros/ano.
Em abril, entra em operação a usina de Luiz Eduardo Magalhães, na Bahia, o primeiro projeto da companhia no Nordeste e um investimento de R$ 1,3 bilhão. Outras duas biorrefinarias estão previstas para 2027.

Maior player do mercado de etanol de milho no País, a Inpasa colhe as vantagens competitivas de ter sido o ‘first mover’.
Zé Lopes foi um dos primeiro a apostar no potencial do etanol de milho no Brasil do álcool de cana. A grande responsável por essa transição energética foi a oferta crescente do milho de segunda safra, que hoje responde por 80% da produção nacional.
O salto do milho destinado para o etanol foi gigante: de 1,7 milhão de toneladas, em 2018, para 24 milhões de toneladas em 2025, segundo dados da consultoria Argus.
Em comparação com o etanol de cana, o capex do etanol de milho é bem menor. Enquanto o ciclo da cana leva sete anos e exige que usinas invistam em terras próprias ou arrendadas, as operações do combustível à base de milho dependem da disponibilidade do grão de uma safra para outra. Com a demanda em alta, os agricultores são cada vez mais incentivados a plantar o grão, cujo preço subiu 70% desde 2018.
Outro empurrão em favor do etanol do milho veio do governo com a Lei do Combustível do Futuro, sancionada em 2024, que permitiu aumentar a mistura de etanol na gasolina de 27% para 30%. Com a guerra no Irã, o governo estuda ampliar o percentual do biocombustível para 35%.
Em um cenário de petróleo a US$ 115, o etanol de milho pode ganhar um novo fôlego – e a Inpasa também.











