A Hypera está pagando R$ 190 milhões à Boehringer Ingelheim do Brasil para ficar com a “produção e o know-how” da escopolamina, o princípio ativo do medicamento Buscopan. 

A Hypera está verticalizando a produção dos medicamentos da família Buscopan — cuja marca ela já havia adquirido em 2019 — e disse que o negócio vai garantir a autonomia no abastecimento do insumo e também permitirá que ela venda o excedente da matéria-prima a terceiros. 

A empresa deu mais detalhes sobre a aquisição em conversas com o sellside.

A Hypera está comprando da Boehringer uma propriedade produtora de duboisia — a planta da qual se extrai a escopolamina — no Paraná.  Hoje, a produção desse local é exportada para a Alemanha, onde a Boehringer tem uma fábrica para produzir o princípio ativo e vendê-lo para a Hypera, que é a dona da marca no Brasil; e a Sanofi, que detém a marca Buscopan em outros países. 

Além disso, o acordo também prevê que até 2025 ocorra a  transferência do know-how da extração de escopolamina,  para a produção do IFA da fábrica da Boehringer na Alemanha para a unidade da Hypera no Brasil. A partir de 2026, a Hypera vai iniciar a produção do princípio ativo aqui. 

Os analistas Leandro Bastos e Renan Prata, do Citi, disseram que o negócio é estratégico pela relevância do medicamento, pela redução da exposição da empresa ao câmbio e a interrupções globais na cadeia de suprimentos.

Para o Citi, a transferência da produção para o Brasil vai ajudar a aumentar as margens brutas do Buscopan em 5 pontos percentuais, por conta de menores custos logísticos e de mão de obra, além de receitas incrementais com as vendas do excesso de produção para terceiros, o que pode render R$ 100 milhões de receita com margem bruta acima de 60%.

Em 2021, o Buscopan gerou cerca de R$ 350 milhões em receitas, e o JP Morgan está estimando que alcance R$ 525 milhões até 2025. Os analistas Joseph Giordano e Estela Strano disseram que a empresa está garantindo o abastecimento de um insumo que não é amplamente fabricado no mercado. Para eles o negócio vai contribuir com cerca de 2% para o EBITDA da empresa e cerca de 5% nos lucros até 2025

A Hypera está negociando a 13,3 vezes lucro para 2022 e 10,8 vezes para 2023. O JP Morgan manteve sua recomendação overweight. “Esse negócio mostra que a empresa está focada no crescimento sustentável e na criação de valor no longo prazo.”

Para o Citi, o impacto na alavancagem de curto prazo deve ser pequeno (0,1x do guidance de EBITDA para 2022).

A conclusão da operação está sujeita ao cumprimento de   condições precedentes e à aprovação do CADE.