O Grupo Mateus acaba de anunciar uma reorganização interna, promovendo a CEO um executivo que cresceu com o grupo e contratando um CFO experiente para melhorar a comunicação com o mercado.

A rede varejista do Norte/Nordeste disse agora há pouco que o fundador Ilson Mateus será o chairman da companhia, entregando o cargo de CEO a Jesuíno Martins, seu braço direito que fez toda a carreira no grupo.

A companhia anunciou que Túlio Queiroz, o atual CFO da Guararapes, será o novo vice-presidente de finanças e RI do grupo.

Túlio, que está há quase 20 anos no grupo que controla as Lojas Riachuelo, começa no novo cargo em 22 de agosto. Ele disse ao Brazil Journal ter ficado “impressionado com a clareza  que o Ilson tem sobre os papeis e responsabilidades de cada um.”

Sandro Oliveira será o vp de operações e logística, assumindo atribuições que eram de Jesuíno.

As mudanças são a maior redesenho da governança da companhia desde sua fundação há 36 anos – e em parte uma reinvidicação do mercado, que pressionava por uma melhor comunicação da companhia desde o IPO.

O atual CFO, José Morgado, vai continuar na empresa, cuidando do relacionamento com os bancos e financiamentos.

Ilson disse ao Brazil Journal que as mudanças lhe permitirão focar na estratégia e na expansão, enquanto Jesuíno e Túlio conduzem o dia a dia.

“As pessoas mudam, mas essa companhia mantém sua alma, porque é uma companhia de alma muito forte, de uma cultura muito forte,” disse Túlio.

Depois do fundador, o maior representante desta cultura é o próprio Jesuíno, que participou de 25 dos 36 anos da companhia, começando como auxiliar administrativo e desde então ocupando praticamente todos os cargos, do chão de loja ao andar de cima.

“Há quase 10 anos o Jesuíno vem se preparando para sentar nessa cadeira,” disse Ilson. “Há 10 anos a gente vem preparando a empresa. De 2012 para cá, a gente se impôs um crescimento de quase 20% em média.”

Jesuíno era o vp de operações há quatro anos, acumulando a áreas comercial e de marketing — e a própria presidência do conselho.

Um dos principais pontos que o novo management terá que atacar de frente: a queda na margem, que tem se manifestado na medida em que o Mateus acelera sua expansão. O valor de mercado da companhia, hoje em R$ 10,5 bilhões, caiu pela metade desde o IPO.

“Existe uma inflação galopante que de fato agrediu demais as margens, mas temos muitas lojas novas que puxam o resultado para baixo num primeiro momento, mas elas vão maturar e ajudar o resultado,” disse Ilson. “Fiquem tranquilos. Tá dentro do plano.”