A Apex Partners, uma plataforma de investimentos do Espírito Santo com R$ 17,5 bilhões em ativos, chegou a 14% do capital da CVC, e deve ganhar uma vaga no conselho da operadora de viagens na próxima assembleia de acionistas.
Em dezembro, a Apex já havia chegado a 10% do capital da CVC, mas aumentou sua posição nas últimas semanas em meio à queda recente do papel, o fundador da Apex, , disse ao Brazil Journal.
A posição consolida a Apex como o segundo maior acionista da companhia, atrás apenas da família Paulus, que também aumentou sua participação recentemente.
A família Paulus — que fundou a companhia, vendeu o negócio em 2016 e voltou ao cap table há quatro anos — tinha 19,9% das ações e aumentou sua posição para 20,47%. Outros acionistas relevantes são a Absolute, com 9,8% do capital, e o Opportunity, com 7,8%.
“Enquanto a ação estiver no preço que está, vamos continuar comprando com o objetivo de chegar nos 15%,” disse Fernando. “É uma empresa que já passou por um turnaround bem sucedido, desalavancou muito nos últimos anos e agora está crescendo receita e melhorando margem. E o preço está muito descontado.”
Fernando disse que na análise de fluxo de caixa descontado feita pela Apex o valor justo da CVC é de R$ 5,50 por ação, mais que o dobro do preço de tela.
Hoje, o papel negocia ao redor de R$ 2,60, com a CVC valendo R$ 1,4 bilhão na B3. A ação sobe 42% nos últimos 12 meses.
Com o aumento da posição, a Apex deve ganhar um assento no board. A indicação de Fernando já foi levada à assembleia de acionistas e deve ser votada nas próximas semanas. A primeira assembleia não teve quórum suficiente, e uma segunda AGE deve ser chamada para meados de fevereiro.
A entrada de Fernando no board vai acontecer com a criação de um novo assento, sem a necessidade de saída de nenhum conselheiro atual.
O investimento da Apex na CVC foi feito com recursos da tesouraria da empresa e por meio de um fundo de PIPE de R$ 78 milhões que ela levantou com clientes. (O objetivo do fundo é chegar a R$ 130 milhões).
Fernando disse que a Apex costuma investir em empresas de capital fechado, mas desde 2023 as oportunidades na Bolsa começaram a chamar a atenção.
“Começamos a olhar mais para a CVC quando soubemos que a família Paulus ia voltar e trazer de volta executivos que entendiam muito do negócio,” disse ele. “Entramos junto com eles no follow-on a R$ 3,30, mas com uma posição muito pequena. Eles apresentaram um plano muito bom, mas depois a ação caiu e fomos comprando mais.”
Fernando disse que a tese de investimentos na companhia é ancorada em três drivers. O primeiro é o crescimento das tendências de consumo que a CVC atende.
“O brasileiro não é uma população que tem, na média, o hábito e a renda para viajar. Então quando ele viaja ele precisa de uma assessoria: precisa saber como fazer as reservas, os programas que vai ter lá, como vai ser o transporte… Por mais que a gente tenha bastante gente consumindo no digital, acreditamos que esse perfil de consumo que a CVC atende vai continuar sendo o principal e crescendo,” disse ele.
O segundo driver são os intercâmbios internacionais, em que a CVC já é líder no Brasil e ainda tem uma grande avenida de crescimento, já que o crescimento da renda média e do PIB do Brasil são motores para esse mercado, disse o acionista.
Por fim, ele vê oportunidades de expansão na Trend, a marca de viagens corporativas da CVC. “A CVC está começando a olhar mais para isso agora. Tem uma avenida inteira para crescer ainda,” disse ele.
Nas contas da Apex, a CVC tem capacidade de dobrar seu GMV nos próximos dez anos, passando dos atuais R$ 16,2 bilhões, para cerca de R$ 30 bi, “e isso com mais eficiência e melhoria de margem.”
“Após a conclusão da desalavancagem, que deve terminar em 18 meses, a CVC vai estar muito bem posicionada para acelerar seu crescimento, ganhando margem e capturando várias oportunidades de seu efeito de rede,” disse Fernando.
O aumento da posição da Apex coincide com a mudança do CEO da companhia, anunciada há duas semanas. Fábio Godinho, que estava há quase três anos no cargo, foi substituído por Fábio Mader, que era o vp de produtos e revenue manager.











