No ano passado, o fundo de private equity da XP entrou no mercado de oftalmologia com a compra do CBV — o hospital de olhos referência de Brasília — e uma estratégia agressiva de consolidar um dos segmentos da saúde mais pulverizados do Brasil. 

De lá para cá, o CBV fez quatro aquisições que posicionaram a empresa como um player dominante em cidades como Recife, Cuiabá e Teresina. 

Agora, a XP está fundindo essa holding com o Grupo H.Olhos, a segunda maior rede de oftalmologia de São Paulo com dois hospitais e seis clínicas.  

A fusão cria uma companhia — batizada de Vision One — com faturamento de R$ 500 milhões, market share de mais de 5% e presença forte no maior mercado consumidor do País. 

A Vision One já nasce com a liderança do setor de oftalmologia junto com a Opty, a plataforma do Pátria Investimentos criada há cinco anos e que tem market share semelhante. 

O plano é crescer a empresa e depois levá-la para a Bolsa num prazo de dois a três anos, Chu Kong, o gestor do FIP XP Private Equity, disse ao Brazil Journal. 

“Já estamos muito próximos disso,” disse Chu. “Se crescermos o EBITDA em mais 25% a 30% já nos qualificamos para um IPO.”

A transação foi estruturada como uma troca de ações. Os valores não foram revelados, mas Chu disse que a XP continuará como controladora da nova empresa. 

Fundada há 38 anos, o H. Olhos nasceu em Santo André da cabeça de sete estudantes de medicina recém-formados: William Fidélix, Edvaldo Sóter, Eduardo Parente, Marcos Gomes, Jefferson Leite, Mauro Campos e Hamleto Molinari.

Até agora, o H. Olhos não havia recebido nenhum investimento e crescia apenas com sua geração de caixa. A rede opera em toda a cadeia da saúde — atendimento primário, secundário e terciário — e tem a maior parte de sua receita vindo dos planos de saúde.  

Segundo os fundadores, o H. Olhos se diferencia de seu principal concorrente — o CEMA, líder em São Paulo — pela qualidade e posicionamento: o grupo tem uma linha de corte na hora de cadastrar as operadoras de saúde, o que acaba posicionando a rede junto a um público de alta renda. 

A fusão de hoje tem sinergias importantes, que vão desde um maior poder de barganha nas compras de insumos até melhorias nos processos, eficiência operacional, e a parte de pesquisa e qualidade médica. 

A Vision One vai continuar crescendo com M&As, com foco em hospitais que sejam referência em suas regiões de atuação. 

A estratégia de M&A pode eventualmente bater de frente com a Opty, que também está caminhando para uma consolidação nacional. “Claro que vai ter overlap em algumas praças e que fatalmente a gente vai acabar disputando algum ativo, mas em toda praça que entramos queremos sempre ter o melhor hospital,” diz Chu. 

Outro plano: fortalecer as marcas do portfólio com a abertura de novas clínicas que funcionem como uma espécie de originador de demanda para os hospitais do grupo. 

Há mais de cinco mil clínicas e hospitais oftalmológicos no País, mas o mercado ainda é subpenetrado. Enquanto os Estados Unidos fazem 10 cirurgias de olhos para cada mil habitantes por ano, o Brasil faz apenas três.