A candidatura do Presidente Lula para a reeleição em 2026 está enfraquecida, principalmente por uma menor força no Nordeste, e as chances de uma recuperação até a data da eleição estão diminuindo cada vez mais.

Esta pelo menos é a leitura do consultor político Luciano Dias, que fez uma apresentação no Itaú hoje falando de seus prognósticos para a eleição. 

Para Luciano, o que mais chama a atenção nos números de Lula é a fraqueza que ele tem demonstrado no Nordeste em comparação a eleições passadas. 

Luiz Inácio Lula da Silva

No Ceará, por exemplo, Lula tem 59% das intenções de voto para o primeiro turno, segundo a Paraná Pesquisas. Na eleição de 2022, tinha 5 pontos percentuais a mais. Em Pernambuco, a diferença é semelhante. 

“Como o Lula é conhecido e todos sabem que ele é candidato, é possível afirmar que o apoio do PT no Nordeste está menor e caindo,” disse o consultor, segundo relatos de pessoas presentes no evento. 

Luciano lembrou ainda que em Pernambuco os dois principais candidatos ao Governo do Estado não são do PT. Para o Senado, o candidato petista também não é favorito. “O PT deve ir para as eleições estaduais sem favoritismo algum no Nordeste. Isso reduz orçamentos, reduz apoios, e fragiliza,” disse ele. 

A visão de Luciano é corroborada pela pesquisa divulgada hoje pelo instituto Apex/Futura, segundo a qual Flávio Bolsonaro venceria Lula no segundo turno com 48,1% dos votos contra 41,9% de Lula.

Segundo esta pesquisa, Lula perderia no segundo turno para praticamente todos os adversários. Tarcisio bateria Lula com 46,1% (contra 41,3%); Ratinho Junior venceria por 44,8% contra R$ 41,2%; e Ronaldo Caiado venceria por 42% contra 41,8%.

Lula venceria apenas Romeu Zema – por 42,8% dos votos contra 40,5% – e Eduardo Leite, por 41,9% dos votos contra 37,3%. 

No primeiro turno, segundo a pesquisa, Lula ainda tem uma ampla vantagem na pesquisa espontânea, mas está tecnicamente empatado com Flávio Bolsonaro (considerando a margem de erro) nas pesquisa estimulada. 

No evento do Itaú, Luciano também disse que chama a atenção a baixa avaliação do Governo Lula. Em eleições passadas, alguns presidentes tinham avaliações tão altas (com exceção de Bolsonaro) que permitiam até considerar vitórias no primeiro turno.

A aprovação de Lula hoje (aqueles que consideram seu Governo ótimo ou bom) é de apenas 33%, um nível que ele só teve durante o Mensalão. Para ser possível considerar uma vitória no primeiro turno, ele teria que ter uma aprovação de mais de 42%. 

Lula também tem hoje a maior taxa de rejeição entre os candidatos. Para Luciano, com os números atuais é muito difícil Lula vencer a eleição. “A baixa aprovação e a fraqueza no Nordeste apontam dificuldades reais de reeleição, porque elas nunca ocorreram no passado,” disse o consultor. 

Luciano destacou ainda a relevância que o voto dos evangélicos tem hoje, o que, para ele, é outro fator que joga contra Lula, já que esse segmento da população é majoritariamente bolsonarista ou anti-PT.

É verdade que o Governo ainda tem meses para se beneficiar de medidas populares (ou populistas) como o aumento da isenção do imposto de renda e programas como o Vale Gás. 

Luciano, no entanto, acredita que isso não será suficiente. “O que adiantaria é uma medida como a PEC Kamikaze do Bolsonaro, que permitiu R$ 70 bi de gastos extraordinários com benefícios sociais e aumentou 10 pontos dele na pesquisa. Mas parece improvável que algo assim aconteça,” disse ele. “E medidas pequenas beneficiam eleitores que já são de esquerda.”