O Fleury anunciou a criação da Saúde iD, um marketplace de soluções reunindo empresas, operadoras de saúde e pacientes, na mais recente inovação da companhia fora de seu ‘core business’ de exames diagnósticos.

O marketplace já nasce com sete milhões de vidas — quatro milhões vindo da SantéCorp, a startup de cuidados de saúde que o Fleury adquiriu há dois anos, e outras 3 milhões que são clientes ativos do próprio Fleury.

O ecossistema permite que o cliente tenha acesso a seu histórico médico, marque consultas por telemedicina ou presenciais, acesse resultados de exames diagnósticos e gerencie doenças crônicas, entre outras funcionalidades.

Num futuro próximo, a Saúde iD vai se integrar com farmácias para que o paciente possa receber em casa medicamentos prescritos pelo médico, bem como kits de alimentação saudável, bens de consumo e ofertas para adoção de hábitos saudáveis. 

O paciente será o dono de todas as suas informações de saúde, integradas em um único local (e não precisará mais contar seu histórico a cada médico que visitar ou exame que realizar). 

“Conforme os usuários forem usando o app, também vamos entender melhor seu perfil e conseguir trazer soluções personalizadas para cada um,” o CEO do Fleury, Carlos Marinelli, disse ao Brazil Journal. “Os dados que vão dizer as ações que temos que propor para cada usuário ao longo do tempo.” 

Para criar a Saúde iD, o Fleury comprou participações minoritárias em duas healthtechs que foram plugadas no marketplace: a Prontmed, de prontuários médicos, e a Sweetch, uma startup israelense que usa inteligência artificial para fazer a gestão de doenças crónicas. O Fleury comprou 18% e 1% das empresas, respectivamente.

A plataforma já consumiu investimentos de mais de R$ 50 milhões. 

A Saúde iD é a mais recente diversificação do Fleury, que já investiu em clínicas de infusão, ‘day clinics’ para cirurgias de baixa complexidade, além de ter comprado a própria SantéCorp há dois anos. De lá para cá, a SantéCorp já aumentou seu número de clientes em 20x.

Num primeiro momento, o Fleury vai monetizar a plataforma num modelo de fee por vida. Empresas ou operadoras de saúde que quiserem contratar a plataforma para seus funcionários ou segurados pagarão um valor mensal por usuário. Mas o Fleury também deve cobrar um take rate das transações no marketplace conforme for agregando serviços como farmácias. 

Por ora, a Saúde iD vai funcionar apenas no modelo B2B2C (no qual só terão acesso ao sistema os funcionários ou segurados das empresas e operadoras clientes), mas o plano é lançar também uma versão voltada para o consumidor final. 

Eduardo Oliveira, o CEO da Saúde iD, diz que a empresa está fazendo alguns ajustes finais na parte de UX e deve lançar a versão B2C nos próximos meses. Ainda não está definido se o modelo de monetização será por assinatura.

O Fleury estima que em três anos a Saúde iD possa representar entre 5% a 10% da receita do grupo Fleury, que faturou R$ 3,14 bilhões no ano passado.