A Energisa anunciou hoje em seu Investor Day um plano estratégico de cinco anos cujo resultado final será uma diversificação significativa do seu negócio — transformando a empresa numa espécie de ‘one-stop shop’ de energia. 

Hoje, 93% do EBITDA da Energisa vêm da distribuição, com a empresa dos Botelho operando concessões em estados de alto crescimento como Tocantins e Mato Grosso do Sul. 

Mas em 2026, se tudo der certo, a companhia espera que de 20% a 25% de seu EBITDA já venha de negócios fora da distribuição, incluindo a geração distribuída e a centralizada, a transmissão, e o que a companhia chama de ‘outras soluções’ – uma vertical que inclui desde serviços financeiros até produtos de biogás e biometano.

Para isso, a Energisa vai investir R$ 29,5 bilhões nos próximos cinco anos – 1,6x o seu capex dos últimos cinco. 

O CEO Ricardo Botelho disse ao Brazil Journal que mais da metade desse investimento ainda vai para a distribuição, já que a empresa projeta um crescimento orgânico expressivo nos próximos anos, na medida em que mais pessoas em suas áreas de concessão precisam de novas conexões e o consumo de energia per capita aumente no País.

Em vez de buscar novas concessões, a companhia pretende focar sua expansão nos demais segmentos, com destaque para as gerações distribuída e centralizada. 

Na geração distribuída (GD), onde a Energisa já opera com a Alsol, o plano é aumentar a capacidade de geração dos atuais 77 MW para 460 MW, investindo R$ 2,2 bilhões até 2024. O número de clientes deve saltar de 2 mil para mais de 10 mil. 

Para viabilizar isso, a Energisa vai construir mais 150 parques solares — 40 já no primeiro ano. Cada parque tem em média 5 hectares e capacidade de geração de 3 MW. 

Na geração centralizada, a Energisa quer atingir uma capacidade de 1.200 MW, considerando os 500 MW de pipeline que ela já tem hoje, entre parques solares e eólicos.

Diferente de companhias como a AES Brasil, que tem feito projetos em parceria com grandes empresas (como a Unipar), a Energisa pretende vender a energia gerada por suas usinas no mercado livre, por meio de sua comercializadora. 

“Esse modelo embute um risco um pouco maior, mas também permite maiores ganhos, já que você consegue arbitrar melhor o preço, deixar uma parte contratada e outra descontratada… tem uma flexibilidade muito maior,” disse o CEO. 

Outro plano: entrar no segmento de biogás.

A Energisa planeja fechar parcerias com produtores rurais para usar resíduos animais (de gado confinado e granjas de frango e porco) para gerar energia e biometano — uma substância sustentável que substitui o gás natural.  

“Nossa ideia é fazer isso ‘end to end’. Produzir tudo e vender o que estamos fazendo,” disse o CEO. “O nosso parceiro não vai ter trabalho nenhum, além de ceder o terreno e os resíduos.”

A Energisa está tentando adaptar seu negócio para um momento de transformação brutal no setor de energia, com os clientes saindo de uma posição passiva para escolher novos modelos e fornecedores, enquanto as empresas buscam reduzir seu custo com energia ao mesmo tempo em que migram para fontes renováveis.

Os novos negócios da Energisa estão debaixo do guarda-chuva de Roberta Godoi, uma executiva contratada há 8 meses depois de passar mais de 20 anos na indústria de telecom – boa parte deles na Net/Claro, onde Roberta liderava a área comercial e de comunicação.  (Foi em sua gestão que a empresa criou o bordão “O Mundo é dos Nets”.) 

Na Energisa, Roberta disse estar montando “uma máquina de vendas” para comercializar os novos produtos da companhia: o time comercial cresceu de 20 para mais de 400 pessoas no último ano.