Um grupo de estudantes brasileiros de Harvard e MIT está cansado de discutir o País “na teoria”.
Apesar da crescente oferta de conferências dedicadas ao Brasil em Cambridge (a cidade vizinha a Boston, onde ficam ambas as universidades), eles sentem falta de uma plataforma que vá além de “conversas diagnósticas” e consiga inserir o País em discussões globais e colocar seus jovens talentos em evidência.
É dessa inquietação que está surgindo o Brasil Project, uma iniciativa de cerca de 30 estudantes que terá sua conferência inaugural em abril, mas que também se propõe a ser um think tank e uma ponte entre o Brasil e o mundo durante todo o ano. O Brazil Journal será media partner do projeto.

“Queremos reunir um grupo super qualificado de alunos e empreendedores para aprender com quem está construindo soluções para as grandes questões globais e atuar como uma via de mão dupla, expondo as novas lideranças brasileiras ao cenário internacional e levando o melhor do mundo para o Brasil,” Antonia Lemann, uma das fundadoras do projeto e graduanda de economia em Harvard, disse ao Brazil Journal.
Para ela, a empreitada será um sucesso se conseguir criar um fluxo de transferência de talentos brasileiros para posições de liderança ao redor do globo.
Algo “tipo a ‘Paypal Mafia’,” disse Antonia, referindo-se ao grupo de executivos que surgiu na empresa de pagamentos e hoje domina grandes empresas de tecnologia, como Elon Musk e Peter Thiel.
A conferência do Brasil Project ocorrerá entre 10 e 12 de abril em Harvard e no MIT, e deve receber 200 estudantes e 150 líderes brasileiros. Serão seis temas: AI; energia e sustentabilidade; economia e geopolítica global; excelência em pesquisa; esporte; e a formação da próxima geração de líderes políticos.
Em nome da pluralidade, os assuntos serão abordados sob várias óticas, com a participação de referências de mercado, da academia e da esfera pública.
Entre os palestrantes confirmados estão Philippe Laffont (o CIO da Coatue), Mitch Resnick (professor do MIT e fundador da Scratch, a plataforma de programação para crianças), Jonathan Gruber (professor do MIT e pai do Obamacare), Nitin Nohria (ex-reitor de Harvard Business School e chairman da Thrive Capital), Jorge Paulo Lemann, Luana Lopes Lara e Roberto Campos Neto.
O evento também será palco da final da Constellation Challenge, a competição de avaliação de empresas, e promoverá uma imersão de três dias para 10 estudantes brasileiros de escolas públicas, por meio de uma parceria com a Fundação Estudar e a EducationUSA.
Finalizada a convenção, o Brasil Project seguirá ativo ao longo de todo o ano como um think tank.
“Nossa expectativa é que as conexões feitas durante o evento resultem em pesquisa, produção acadêmica e colaborações profissionais,” disse Antonia.
Outros fundadores do Brasil Project incluem Hana Sousa, uma amazonense medalhista da Olimpíada Internacional de Química e estudante de Engenharia do MIT; Helena Fernandes, uma fluminense fundadora da ONG focada em saúde comunitária Absorvendo Amor e estudante de Matemática aplicada à Estatística e Economia em Harvard; e Rodrigo Alves, um mineiro formado em Engenharia pela USP que já trabalhou na HIG e na BlackRock e hoje faz MBA em Harvard.











