Um comitê de conselheiros independentes da Food and Drug Administration abriu o caminho para o lançamento de uma nova droga experimental contra os efeitos do Alzheimer. 

O medicamento, chamado donanemab e ainda sem nome comercial, foi desenvolvido pela Eli Lilly. 

O uso do anticorpo demonstrou benefícios modestos na desaceleração do declínio cognitivo causado pela doença, mas, na avaliação unânime do painel de 11 especialistas, os benefícios superam os riscos e efeitos colaterais. 

A notícia contribui para a alta das ações da Lilly, o maior laboratório dos EUA. O papel acumula alta de 94% nos 12 meses e está em suas máximas históricas, com o valor de mercado da companhia superando US$ 800 bilhões.

“A decisão respalda o robusto ciclo de novos produtos da Lilly e seu crescimento em relação aos concorrentes,” disse o Bank of America, que mantém um preço-alvo de US$ 1.000 para a ação. Na tela, o papel vale US$ 862.

Agora, cabe à FDA dar a palavra final e aprovar ou não o uso do novo medicamento. A agência responsável pela regulamentação de alimentos e medicamentos nos EUA normalmente acolhe as recomendações dos comitês independentes. 

Uma das possíveis causas do mal de Alzheimer é o acúmulo no cérebro de placas tóxicas da proteína beta-amiloide, levando à morte de neurônios. 

O donanemab atua na remoção dessas placas. O princípio é semelhante ao do Leqembi, aprovado pela FDA no ano passado. O medicamento foi desenvolvido conjuntamente pela Eisai e pela Biogen. 

Ambas as drogas são administradas por meio de infusões intravenosas. 

Os efeitos colaterais mais sérios são inchaços e sangramentos no cérebro – observados em até 30% dos participantes dos testes clínicos. 

No estudo submetido pela Lilly, foram analisados 1.736 pacientes com sintomas iniciais de Alzheimer. 

Entre as pessoas que receberam o donanemab, metade delas manteve as condições cognitivas após um ano. No grupo de placebo, mais de 70% registraram piora. 

O ganho isolado do uso da droga, contudo, não é muito significativo. Em média, quem recebe o medicamento posterga os sinais de demência e perdas de funções cerebrais em seis meses.  

Os novos medicamentos, portanto, são vistos como avanços no tratamento, mas não a cura definitiva.  

O donanemab é aplicado com infusões feitas uma vez ao mês. 

O Leqembi vem sendo usado de maneira similar, com com infusões quinzenais – ao custo de US$ 26.500 ano nos EUA. Uma versão injetável deve chegar ao mercado no ano que vem. 

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