O novo presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, disse que pretende apresentar “nos próximos dias ou meses” um amplo pacote de reformas econômicas chamado “Capitalismo para Todos”, para aumentar os investimentos externos no país.

O novo líder do país andino disse ao Financial Times que seu governo está elaborando propostas que visam modernizar o setor de mineração.

As mudanças incluem uma nova lei para exploração de recursos naturais na Bolívia, um setor atualmente controlado pelo governo. 

O governo quer aumentar a exploração de lítio, essencial para a fabricação de baterias. Atualmente, a Bolívia conta com a quinta maior reserva de lítio, mas não está entre os dez maiores países mineradores do recurso – enquanto o vizinho Chile é o segundo maior produtor de lítio do planeta.

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Pela legislação corrente, empresas privadas só podem explorar esse tipo de commodity em parceria com companhias estatais, que muitas vezes impõem condições onerosas ao capital estrangeiro.

O lítio é um dos materiais incluídos no grupo de terras raras, conjunto de materiais considerados essenciais para a produção em massa de novas tecnologias e que está no centro das disputas comerciais entre Estados Unidos e China.

A abertura da economia boliviana pode significar uma boa notícia para multinacionais americanas, que poderão reduzir sua dependência da China.

O projeto de Paz visa uma divisão 50/50 dos riscos ao investir no país: o governo boliviano cede o terreno enquanto as multinacionais chegam com tecnologia e investimentos. 

Questionado sobre eventuais protestos da população contra o aumento da atividade de mineração – assunto sensível no país e instrumentalizado pela esquerda – Paz minimizou a possibilidade e disse que a população irá apoiar a chegada de novos investidores caso isso traga benefícios para a população.

Paz disse ainda que irá revisar acordos feitos por seu antecessor, Luis Arce – atualmente preso por corrupção devido a desvios de recursos do governo – com empresas da China e Rússia, e pretende torná-los públicos para maior transparência.

Os três primeiros meses de Paz no cargo foram marcados por tentativas de desarmar algumas bombas econômicas deixadas por seus antecessores, como a falta de dólares, problema surgido ainda no governo de Arce, que criou um grande mercado paralelo no país.

Enquanto o governo fixou que um dólar custa 7 bolivianos, no mercado paralelo a moeda americana é vendida pelo dobro do valor.

Paz também assumiu um país com déficit fiscal em torno de 11% e uma das maiores inflações da região.

Logo ao assumir o cargo, Paz declarou emergência nacional e acabou com o subsídio dos combustíveis. O subsídio custava aos cofres públicos bolivianos cerca de US$ 2,5 bilhões por ano e o preço baixo artificial era usado por contrabandistas para revender gasolina e diesel da Bolívia para cidades fronteiriças no Peru, Paraguai e Brasil.

Parte da economia atingida com o fim do subsídio foi usada para aumentar os pagamentos de serviços de assistência social para estudantes e idosos, além de elevar o salário mínimo mensal em 20%, medida que ajudou a conter protestos promovidos por organizações sociais – uma das principais forças políticas do país.

Segundo Paz, após três meses de seu governo, o risco-país da Bolívia caiu de cerca de 1.200 pontos no ano passado para perto de 600 pontos.