Edward Wible, um dos fundadores e que foi CTO do Nubank, está fazendo uma doação relevante para uma nova universidade de ciência da computação, a ITEC.

O campus da nova universidade está sendo construído em Porto Alegre e deve matricular sua primeira turma ano que vem.

A doação é o primeiro grande esforço de filantropia de Wible, um americano formado em Princeton que mora há 13 anos no Brasil e ganhou liquidez no IPO do Nubank.

No ITEC (Instituto de Tecnologia e Computação), Wible está se juntando a outros cinco fundadores. O projeto foi idealizado por Cristiano Franco, um empreendedor de Porto Alegre que fundou e vendeu uma startup de consultoria de TI.

Os outros fundadores são os empresários Marcelo Lacerda e Sérgio Pretto, além das fundações de Marcel Telles e Alexandre Behring, da 3G. 

No total, os seis fundadores estão aportando R$ 400 milhões na ITEC, com as doações sendo divididas em proporções parecidas

Os recursos serão usados para financiar a construção do campus e bancar os primeiros dez anos do projeto, que não tem fins lucrativos – além de bancar a concessão de bolsas de estudo e a contratação do corpo docente. 

O ITEC está sendo construído em Gravataí, na região metropolitana de Porto Alegre, num terreno de 20 hectares. A obra já está 20% concluída. 

A previsão é que o campus fique pronto em março do ano que vem, quando a primeira turma de estudantes já deve começar as aulas. O campus tem capacidade para 420 alunos, e a expectativa é ter 60 alunos na primeira turma. Em 10 anos, o plano é formar mais de mil alunos em ciência da computação. 

Wible disse ao Brazil Journal que nos últimos anos começou a pensar em como devolver ao ecossistema de tecnologia brasileiro tudo o que recebeu ao longo de sua carreira — e que o investimento no ITEC foi a melhor forma que encontrou de fazer isso.

“Quando estudei em Princeton, o curso era muito teórico, matemático, clássico, e meio parado no tempo. E era meio individual, focado em você aprender e aplicar nas provas,” disse Wible.

Já o ITEC “será focado na colaboração e não tanto na competição, e em investir muito no desenvolvimento dos indivíduos. É uma abordagem voltada para o time, que é como funciona no mundo real do trabalho. No trabalho, se você deixa seu time para trás você não vai chegar muito longe.”

Segundo ele, uma das principais inspirações do ITEC é a Harvey Mudd College, a universidade de ciência, engenharia e matemática da Califórnia que tem foco na formação mais ampla dos alunos com um ensino baseado na resolução de problemas.

“Queremos experimentar, testar coisas e ter esse vínculo muito forte com o mundo real, integrando a universidade com as empresas brasileiras para os alunos verem como funciona na realidade,” disse Wible. 

O co-fundador do Nubank disse que o processo de seleção do ITEC não levará em conta renda familiar ou perfil geográfico; o único fator que vai pesar na seleção será a capacidade e o potencial do aluno. Ainda assim, todos serão bolsistas, o que dará a possibilidade de alunos de baixa renda terem acesso a um ensino de ponta.

O instituto vai atuar de forma proativa na busca dos melhores talentos, por meio de parcerias com escolas, educadores, olimpíadas científicas e iniciativas de estímulo à computação. Este mês, o ITEC já fez um roadshow por diversas escolas de todo o País e tem participado em eventos voltados à juventude.

Wible, que fez sua liquidez há cinco anos, disse que o ITEC é sua maior doação até agora. Mas ele não quer parar por aí. 

“É a maior hoje, mas espero que não seja a maior para sempre,” disse ele. “O ITEC é um projeto ambicioso, que tem um impacto claro, mas que tem muitos desafios também. Não é algo óbvio que vai dar certo, e isso torna ele ainda mais interessante.”