A Cosan montou uma posição minoritária na Vale – um movimento que posiciona o maior conglomerado brasileiro para exercer algum tipo de influência na gigante do minério, que se tornou uma companhia sem controle definido dois anos atrás.

A posição montada combina ações compradas no mercado à vista totalizando 1,5% do capital da companhia; e um ‘zero-cost collar’ de mais 3,4% do capital, perfazendo 4,9% do capital da mineradora – uma posição que hoje vale R$ 18,5 bilhões na Bolsa.

A empresa fez um segundo collar – de mais 1,6% – mas o exercício dos direitos políticos desta participação adicional dependerá da aprovação do CADE.

[O zero-cost collar montado pela Cosan consiste na compra de uma opção de venda e na venda de uma opção de compra, o que limita tanto o potencial de perda quanto de ganho.]

Da forma como foi estruturada, a operação não aumenta o endividamento da Cosan neste momento, dado que o desembolso está sendo financiado por um instrumento non-recourse lastreado nos dividendos de algumas de suas empresas.  Além de limitar o risco, a estrutura dá à Cosan a opção de converter ou não seus derivativos – o grosso da posição – numa participação de fato ao longo dos próximos cinco anos.

A Cosan pretende financiar a compra de Vale “vendendo ativos monetizáveis e que tenham um valor incontroverso, e sem diluir o acionista da Cosan,” o chief strategy officer da companhia, Marcelo Martins, disse ao Brazil Journal. “Não vamos fazer nada que comprometa o plano estratégico das empresas que já temos no portfólio.”

A Vale é o mais novo ativo de um portfólio que o empresário Rubens Ometto começou a montar em 2008, quando a Cosan fez sua primeira aquisição fora do setor de açúcar e etanol, a Esso.

Em maio, durante o Investor Day da Cosan, Martins disse a investidores que, como alguns destes ativos já estão maduros, a empresa começaria uma revisão do portfólio.

A compra da participação na Vale reforça o perfil da Cosan como um player de recursos naturais – a companhia distribui gás (Compass), produz etanol e energia renovável (Raízen), é dona de terras agrícolas (Radar), transporta grãos (Rumo) e agora participará do mercado global de minério.

“A Vale tem ativos excepcionais, um minério de altíssima qualidade, um negócio de metais básicos relevante, e é negociada com um desconto que nada tem a ver com a qualidade de seus ativos,” disse Martins. “Temos sócios em todos os nossos negócios, e queremos ser um bom sócio para todos os outros acionistas da Vale.”

A ideia de investir na companhia começou no ano passado, quando a Cosan entrou no setor de minério comprando o Porto São Luiz e anunciando uma sociedade com o empresário Paulo Brito, dono de reservas de minério no Pará.

Dois bancos – JP Morgan e Citi – se envolveram na montagem da posição, enquanto Itaú e Bradesco organizaram o financiamento non-recourse de R$ 8 bilhões.

A Cosan fará uma teleconferência com o mercado às 19h.