A noite de hoje deve ser especialmente lucrativa para algumas empresas do setor elétrico – mas nenhuma vai se beneficiar tanto quanto a AXIA Energia, a antiga Eletrobras.
O preço no mercado de curto prazo de energia, que já anda em níveis altos, vai disparar no fim da tarde e tocará o pico de R$ 1.557 por megawatt-hora entre 20h e 21h.
O valor, que é calculado na véspera para cada hora do dia seguinte, vai encostar no teto regulatório (R$ 1.611/MWh) definido pela ANEEL. É mais de seis vezes o preço atual da energia em contratos de longo prazo (R$ 239/MWh).
As hidrelétricas são as usinas que mais conseguem capitalizar os picos de preço, pela velocidade com que suas turbinas podem ser acionadas para atender à demanda, técnicos do setor explicaram ao Brazil Journal.
A AXIA é a maior geradora hídrica do País, de longe, seguida por players como Engie, CTG, Auren e Copel. A AXIA também é a que tem mais energia descontratada, para ser negociada no curto prazo, junto com a Copel.
Embora o teto de preço de hoje vá durar pouco, e seja um evento raro, técnicos veem nisso um novo sinal de como o mercado elétrico está volátil e com tendência de valores mais elevados.
“Vamos ter preços mais altos no horário de ponta da noite, é o novo normal. Lógico que não sempre assim, no teto, isso de fato é excepcional. Mas isso vai ser mais comum do que antes,” o sócio da consultoria Envol, Alexandre Viana, disse ao Brazil Journal.
Até hoje, a única vez em que o preço bateu o teto horário foi em 28 de junho de 2024.
Agora, o sistema elétrico está sob pressão devido ao calor na região Sul e à menor geração eólica, por condições meteorológicas que estão reduzindo ventos no Nordeste.
Os preços ainda tendem a subir no final do dia, com a geração solar saindo do sistema justamente enquanto a demanda cresce, conforme as pessoas chegam em casa e ligam suas TVs e aparelhos de ar condicionado.
Embora não seja possível prever se o preço no teto vai se repetir nos próximos dias, “a conjuntura não é boa,” disse o sócio da True Comercializadora de Energia, Gustavo Arfux.
“A tendência é que tenhamos uma base de preços mais elevada, em geral.”
Para o analista da XP, Raul Cavendish, “a AXIA tem hoje talvez o melhor portfólio hídrico para capturar essas assimetrias que estão colocadas” no mercado elétrico.
“Quando pensamos em AXIA, é uma história que por si só já é bem interessante. E você carrega a possibilidade de ver esses preços ainda mais voláteis… onde ela consegue capturar muito bem,” disse Cavendish.
Pelos preços projetados hoje na plataforma de negociação de energia BBCE, a XP estima que a AXIA pode ter em 2026 um EBITDA de R$ 32 bilhões, 20% acima do consenso, com dividend yield de 11%, contra os 9,5% estimados hoje.
O BTG também disse ver um cenário de preços de energia voláteis e subindo ainda mais, e avaliou que “a AXIA se destaca como a principal beneficiária.”
Para os analistas, a conjuntura do mercado elétrico “pode transformar a AXIA em uma empresa (muito) forte pagadora de dividendos nos próximos 5 anos.”
“Apesar do sólido desempenho das ações nos últimos meses, ainda vemos espaço para um desempenho ainda melhor,” escreveu o time do banco.
A ação ordinária da AXIA subiu 105% no ano passado.











