O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da Will Financeira, que era controlada pelo Banco Master e que operava sob Regime Especial de Administração (RAET) desde a liquidação do banco de Daniel Vorcaro em 18 de novembro.
Os impactos da medida reforçaram as ligações de personagens principais envolvidos nas fraudes investigadas pela Polícia Federal envolvendo o Master.
A decisão do BC foi tomada depois que a Will Financeira não fez pagamentos devidos à Mastercard e foi bloqueada do arranjo de pagamentos da empresa no dia 19 de janeiro.
Segundo o BC, “tornou-se inevitável a liquidação extrajudicial da Will Financeira em razão do comprometimento da sua situação econômico-financeira, da sua insolvência e do vínculo evidenciado pelo exercício do poder de controle do Banco Master”.
No dia seguinte, a Mastercard executou as garantias dadas pelo Master: 31,87% das ações da WestWing, a empresa de e-commerce; e 6,93% do capital total do Banco de Brasília (BRB). Conforme comunicados divulgados pelas duas empresas, a Mastercard disse que vai vender essas ações.
No caso da WestWing, as ações só podem ter vindo da gestora WNT, que concentra investimentos do Master e de Nelson Tanure, e que até ontem possuía 39,4% da WestWing. A WNT, assim como Tanure e Vorcaro, foi alvo de busca e apreensão na segunda fase da Operação Compliance Zero da Polícia Federal na semana passada.
A WestWing disse ao Brazil Journal que sua administração “não esteve envolvida na operação que desencadeou a mudança de base acionária e segue focada na execução da estratégia de crescimento e rentabilização do negócio”.
O BRB não informa em seu site que o Master tem – ou tinha – participação acionária no banco. Qualquer participação acima de 5% em uma companhia aberta deve ser tornada pública. O BRB não respondeu ao questionamento do Brazil Journal até o momento.
Em nota, a Mastercard disse que “como parte de suas atividades de gestão de risco enquanto arranjo de pagamentos regulado, mantém diferentes tipos de garantias de seus participantes, que podem incluir ativos como ações. Essas garantias têm como finalidade exclusiva assegurar o cumprimento de obrigações de pagamento por parte dos emissores em caso de inadimplemento.”
A liquidação do Will é o triste epílogo de uma startup que por algum tempo teve uma trajetória promissora, crescendo no Nordeste com foco em clientes de baixa renda não-bancarizados.
Depois de atrair a XP e a Atmos numa rodada de R$ 250 milhões, o Will chegou a contratar influenciadores como Pabllo Vittar, Whindersson Nunes e Maísa como garotos-propaganda. (Mais recentemente, a cara do banco era Vini Jr.).
A Atmos saiu do negócio em 2023; o private equity da XP, em 2024.
Em agosto de 2023, depois de mudanças nas regras de capital mínimo para instituições de pagamento, o Will ficou “desenquadrado”, foi advertido pelo BC e teve de buscar uma solução.
A saída foi encontrada em fevereiro de 2024.
O banco digital vendeu 100% da Will Pagamentos para a Reag, de João Carlos Mansur, alvo das operações Quasar e Compliance Zero, enquanto o Master ficou com 75% do que chamou de “Grupo Will Holding”, que reunia Will Financeira, Will Holding, Will Produtos e o FIDC Azo, que tinha como ativo parte dos direitos de uma ação judicial avaliada em R$ 30 bilhões impetrada pela massa falida da construtora CIB contra o DNER.











