Empresas brasileiras com mulheres no time executivo têm probabilidade 50% maior de apresentar melhor desempenho em rentabilidade. 

É o que mostra nossa pesquisa inédita, “Diversity Matters”, realizada com mais de 700 empresas em seis países da América Latina (Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Panamá e Peru), sendo quase 300 delas no Brasil.

O estudo aponta que 64% das empresas de capital aberto com mulheres em cargos executivos apresentam EBIT acima da mediana, contra 43% do total de empresas sem mulheres. 

Além disso, a pesquisa identificou que entre 2014 e 2017, 57% das empresas com mulheres no time executivo apresentaram crescimento da receita acima da mediana, contra 47% em empresas sem mulheres. 

Isso significa que ter mulheres nas equipes de trabalho pode aumentar em 22% a probabilidade das empresas apresentarem rápido crescimento. 

Contudo, os benefícios da diversidade ainda não estão sendo reconhecidos pelas empresas brasileiras. Ainda observamos uma grande disparidade de salários e a falta de mulheres em cargos mais altos. 

Atualmente, as mulheres representam 45,6% da força de trabalho no Brasil e ganham, em média, 20,5% menos que os homens, conforme dados da International Labor Organization. 

Já a quantidade de mulheres em cargos executivos regrediu nos últimos anos. Quando se olham apenas companhias de capital aberto, apenas 32% têm pelo menos uma mulher em cargos executivos. Em 2011, eram 38%.

Por outro lado, há uma tendência mais positiva nos cargos de diretoria: elas representam 40% da diretoria dessas empresas, contra 36% em 2011.

O impacto de ter um ‘fair share’ de mulheres no quadro de funcionários já foi comprovado. Alcançar a equidade de gênero poderia gerar um impacto de US$ 1,1 trilhão no PIB da América Latina entre 2015 e 2025, conforme um estudo do McKinsey Global Institute.  Mas estamos desacelerando esse processo. 

Não existe mágica para o PIB crescer significativamente e com consistência, mas é indiscutível que a maior inclusão de mulheres, especialmente em posições de liderança, contribui expressivamente para o aumento da força de trabalho e fomenta a produtividade – elementos-chave para nossa economia. 

O problema já foi identificado, a solução já é sabida e a oportunidade está dada. 

Tracy Francis é sócia sênior da McKinsey e Líder de B2C na América Latina.  Paula Castilho é sócia da McKinsey no Brasil.

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