Qualquer CEO ou CFO sabe que adotar um ERP, ou migrar de um sistema para outro, é caro. E o maior custo não é financeiro.

Uma implantação leva, em média, nove meses, segundo o Panorama Consulting Group. Nesse período, o CFO tende a virar gerente de projeto e parte do time passa a trabalhar para colocar o sistema de pé em vez de focar no negócio.

Mesmo depois de todo o investimento, pesquisas mostram que mais da metade das médias e grandes empresas seguem alimentando seus ERPs manualmente, enquanto 40% dependem exclusivamente de planilhas para consolidar os resultados.

Com isso, o número confiável pode chegar semanas, ou meses, depois do fechamento do período.

Dessa dinâmica nasceu o trade-off que os CFOs foram obrigados a aceitar: velocidade ou precisão. A contabilidade certa é lenta; a rápida é arriscada.

É esse cenário que a Alchemy quer mudar.

A empresa lança hoje o primeiro ERP AI-native do Brasil: um sistema de gestão contábil e financeira feito sob medida para empresas de serviços e tecnologia de alto crescimento.

Nos Estados Unidos, a categoria já produziu um unicórnio: a Rillet, avaliada em US$ 1 bilhão, com Sequoia e a16z entre os investidores.

Da planilha ao IPO

A meta da companhia é ambiciosa. Segundo Fernando Ribeiro, cofundador e CEO da Alchemy, a empresa quer permitir que seus clientes escalem de R$ 20 milhões a mais de R$ 500 milhões de receita com as mesmas três pessoas no time contábil-financeiro.

Para Ribeiro, quatro palavras diferenciam a Alchemy: implantação zero, fechamento contínuo.

O fundador explica que o cliente começa a operar no sistema em uma semana, sem custo de implantação. Com ele, o time tem visão em tempo real da operação, fecha o mês em horas e comanda o sistema direto pelo Claude ou ChatGPT. Assim, qualquer configuração, consulta, número ou análise fica a uma pergunta de distância.

“Ninguém ama o ERP que tem. O sentimento é de ‘refém’, não de ‘cliente’. Criamos o primeiro ERP que o cliente indica, não o que ele atura,” disse Ribeiro.

Ribeiro sentiu essa dor do outro lado da mesa.

Ele foi CFO da Pitzi,  uma das maiores insurtechs da América Latina, e passou pelo Bridgewater, o maior hedge fund do mundo, fundado por Ray Dalio. Lá, número atrasado ou errado não entra na sala.

Para entregar velocidade com precisão, a Alchemy desenvolveu agentes de IA que aceleram a implantação, assumem o trabalho pesado do dia a dia e transformam o fechamento em uma rotina contínua, não em uma maratona mensal.

A Alchemy não é um chatbot pendurado sobre uma arquitetura dos anos 90.

“São agentes que trabalham dentro do fluxo: buscam as notas e os boletos emitidos contra o cliente, leem documentos, classificam lançamentos, conciliam extratos bancários, programam o faturamento, apontam erros e mantêm orçamento e forecast atualizados,” disse Ribeiro.

O resultado é que mais de 90% das conciliações são feitas sem intervenção humana.

A execução, no entanto, segue as regras determinísticas de negócio e contabilidade predefinidas pelo cliente.

Cada ação da AI é revisável, com trilha de auditoria. Todo lançamento contábil pode ser rastreado até a origem, inclusive o e-mail do fornecedor que deu início ao processo.

Os agentes assumem o trabalho, mas o controle continua com o cliente.

Segundo Willian Menegali, cofundador e CTO, o cliente não precisa aprender mais uma interface: pode operar o sistema diretamente pelo LLM que já usa, com as mesmas permissões do ERP.

“O CEO pergunta ao Claude ou ao ChatGPT a margem por cliente e recebe o número direto do ERP,” disse Menegali.

É isso que a empresa chama de “AI-native”: AI no motor, não na carroceria.

Esse motor resolve outra dor: o custo de crescer.

No ERP tradicional, cada expansão vira projeto de consultoria, gambiarra em planilha ou gatilho para trocar de sistema de novo. Na Alchemy, é configuração.

A plataforma se conecta a mais de 130 instituições financeiras, opera entidades nacionais e internacionais, cada uma com sua moeda e norma contábil, e consolida tudo em um só sistema.

A base já inclui clientes com operações no Brasil (CPC/IFRS), no México (NIF) e nos Estados Unidos (US GAAP), muitos deles vindos de planilhas, Omie, TOTVS, entre outros.

A Alchemy também segue padrões internacionais de segurança e controles, para que seus clientes cheguem à auditoria, due diligence ou preparação do IPO com as respostas de segurança prontas.

Para os fundadores, a hora de mudar de ERP é agora. Isso porque a reforma tributária já obriga as empresas a apurar impostos em dois regimes, e a transição se estende até 2032, forçando milhares de companhias a rever seus sistemas.

Ribeiro explica que a mudança vai além do fiscal: nenhuma empresa vai operar no ritmo da era da IA se a sua gestão continuar presa a uma arquitetura anterior a ela.

“Não dá para colocar um piloto de AI num carro a vapor,” disse Ribeiro.

A ambição da empresa é que a próxima troca de ERP de seus clientes seja também a última.

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