O Itaú fechou 2025 com um lucro recorrente de R$ 46,8 bilhões – uma alta de 13,1% em relação a 2024 – e um ROE de 23,4%, 1,2 ponto acima do ano anterior.
No quarto tri, o lucro cresceu 3,7% para R$ 12,3 bilhões.
“Os números vieram fortes e dentro do esperado”, resumiu um gestor.
A maior expectativa do mercado era para a divulgação do guidance para 2026. O Itaú disse que espera um crescimento entre 5,5% e 9,5% na carteira de crédito total.
A margem financeira com clientes deve crescer entre 5% e 9%; e a margem financeira com o mercado – os ganhos líquidos do banco com operações de tesouraria proprietária – ficará entre R$ 2,5 bi e R$ 5,5 bi.

O custo de crédito – quanto o banco estima perder com inadimplência – deve ficar entre R$ 38,5 bi e R$ 43,5 bi, para uma carteira total de R$ 1,5 trilhão.
As receitas com prestação de serviços e seguros devem subir de 5% a 9%.
Já para as despesas não-decorrentes de juros, o crescimento deve ficar entre 1,5% e 5,5%.
Depois do guidance, analistas ouvidos pelo Brazil Journal projetam um lucro de R$ 51 bilhões para 2026 no meio da faixa das estimativas, que vai de R$ 44,2 bi (low) a R$ 58 (high). Os números estão em linha com o consenso Bloomberg que vigorava antes do resultado.
Com relação ao quarto tri, um analista do sellside disse que os highlights foram a inadimplência e a adquirência, que bateu R$ 1 trilhão no ano, com o banco continuando a ganhar market share.
A carteira de crédito do Itaú aumentou 6,3% para R$ 1,490 trilhão no trimestre.
O índice de inadimplência entre 15 e 90 dias recuou 0,4 ponto e fechou o tri em 1,6%. No segmento de grandes empresas no Brasil, a redução foi de 1 ponto. As quedas foram atribuídas pelo Itaú a um cliente específico que entrou em atraso no terceiro tri e teve a carteira cedida no trimestre seguinte.
O índice de inadimplência acima de 90 dias consolidado permaneceu estável, em 1,9%, e o custo do crédito cresceu 2,8% na comparação trimestral para R$ 9,4 bilhões.
No banco de atacado, o Itaú reportou um aumento de 17,1% nas receitas com banco de investimento e corretagem, principalmente por conta da emissão e distribuição de títulos de renda fixa.
Um analista também destacou que a margem financeira com clientes, de R$ 30,9 bilhões, veio um pouco menor do que ele esperava. “Isso aconteceu em pela antecipação de dividendos, que comeu uns R$ 100 mi dessa linha,” disse.
Em 2025, o Itaú distribuiu R$ 33,7 bilhões em juros sobre o capital próprio e dividendos, com payout de 72%.
Segundo um analista, o Itaú foi cauteloso no guidance de crescimento de carteira, o que era esperado pelo mercado e é compreensível por conta de ano eleitoral.
Os analistas do Citi também disseram que o Itaú foi cauteloso nas projeções, mas comentaram que o guidance implica em mais um ano em que fees e seguros deverão ultrapassar as despesas, “um feito impressionante dados os investimentos tecnológicos do banco e as novas ofertas de produtos”. No geral, diz o Citi, o Itaú continua demonstrando capacidade de evoluir com rentabilidade consistente por meio de diferentes alavancas.
A ação do Itaú sobe 50,4% nos últimos 12 meses, negociada a 2,1x book, com o banco valendo R$ 472,35 bilhões na Bolsa.











