O Brasil segue como o país mais relevante para a operação da Endeavor – e vem aumentando de importância.

Na edição deste ano do Outliers, o selo global da Endeavor para empresas que apresentam o maior crescimento dentro do seu portfólio, o País chegou a 39 empresas, cerca de 17% do total. 

Oito empresas estrearam na lista este ano: as fintechs Pagaleve, Blipay e Barte; as startups de SaaS Omie e Conta Azul; a insurtech 180 Seguros; e a Tractian, uma startup de AI para a indústria. A proptech Loft voltou à lista depois de um ano fora.

Elas se juntam ao rol de empresas como Creditas, Neon, VTEX, Insider Store, Alice, Pismo, Nomad e Wellhub. No total, o Brasil tem 39 empresas na lista de 225.

As empresas selecionadas têm, em média, 12 anos de operação, crescem cerca de 80% ao ano e geraram R$ 43,2 bilhões em receita em 2025, com faturamento médio de R$ 1,1 bilhão. 

Segundo a Endeavor, a produtividade desses negócios é estimada em até 11 vezes a média nacional – mesmo em um cenário de juros altos e crescimento econômico moderado. 

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Maria Teresa Fornea, a diretora geral da Endeavor no Brasil, disse ao Brazil Journal que o dado mais relevante não é o tamanho absoluto da lista, mas sua consistência.

Segundo ela, o Brasil lidera o ranking há anos – em parte por ter uma das operações mais antigas da Endeavor – e mantém uma base estável de empresas que seguem crescendo ao longo do tempo, enquanto novas companhias entram puxadas por tendências como AI.

Outro ponto importante é a internacionalização dessas companhias: 80% dos outliers globais operam fora de seus países de origem. 

O Brasil, no entanto, ainda tem poucas companhias globais – o caso de Wellhub e VTEX – mas a Endeavor vê espaço para aumentar isso de forma acelerada.

“Nosso papel é garantir que o Brasil não esteja desconectado dos parâmetros globais – e que as empresas daqui consigam competir nesse nível,” disse ela.

Um dos motivos para esse otimismo é a consolidação da inteligência artificial como o principal vetor do próximo ciclo de crescimento.

Maria Teresa aponta a Tractian como um exemplo de empresa com esse tipo de pensamento: a startup, uma ferramenta de AI para calibragem e monitoramento de máquinas industriais, já tem boa parte do seu faturamento vindo de países como os Estados Unidos.

“Quando ele olhou para o mercado no Brasil, perguntou: qual é o tamanho disso aqui? E qual é o tamanho nos Estados Unidos? Ele mirou para lá – e está dominando o mercado,” disse ela.

Para Maria Teresa, o Brasil deve continuar na dianteira entre os principais mercados da rede global de empreendedorismo, ainda mais por causa da participação intensiva dos mentores Endeavor no Brasil.

No mundo, mais de 430 empreendedores da Endeavor já foram mentorados por fundadores, reforçando o chamado efeito multiplicador – a ideia de que empresas de alto crescimento não apenas escalam seus negócios mas ajudam a formar a próxima geração.