As terras raras – elementos críticos para indústrias estratégicas, incluindo defesa e energia – já são realidade no Brasil. O primeiro projeto operacional do País, em Goiás, está exportando a produção à China — e agora acaba de receber um cheque de US$ 565 milhões do Governo Trump.
Criada há quase duas décadas em Minaçu, uma cidade de 27 mil habitantes que fica 500km ao norte de Goiânia, a mineradora Serra Verde recebeu um financiamento da US International Development Finance Corporation (DFC) que inclui uma opção de compra de participação minoritária pelos americanos.
Embora tenha chegado agora ao nível de governo, o apetite dos EUA não vem de hoje: a empresa brasileira já havia recebido aportes de dois gestores de private equity americanos, Denham Capital e Energy & Minerals Group, e da britânica Vision Blue.
Em produção desde 2024, a Serra Azul vende seu óxido de terras raras na China, com até 85% indo para a cadeia industrial de veículos elétricos e turbinas eólicas, o COO Ricardo Grossi, um executivo com passagens pela CSN Mineração, Anglo American e Vale, disse ao Brazil Journal.
“Temos um offtake até o final de 2026 de venda para a Ásia. Agora há discussões em andamento sobre daí para a frente. Temos o mercado aberto.”
A transação com o DFC foi aprovada no board da agência do governo americano no último trimestre de 2025 após “alguns meses” de conversas e due dilligence, disse Grossi. Pouco depois, no final do ano, a companhia negociou (e conseguiu) a antecipação do vencimento de seus contratos com a China.
“Quando vim para cá, eu mesmo nunca tinha ouvido falar muito em terras raras, e eu sou engenheiro de minas. Mas isso entrou em uma escalada de atenção desde o ano passado, e despertou interesse.”
Grossi disse que não pode dar detalhes sobre as negociações atuais para novos contratos, nem sobre as condições do financiamento do DFC. O dinheiro vai refinanciar empréstimos anteriores, mais caros, e ajudará em otimizações para atingir 6.500 toneladas anuais em óxido total de terras raras (TREO) até o final de 2027.
O chairman da Serra Verde, Mick Davis, foi um executivo da mineradora Xstrata, adquirida pela Glencore, e CFO da Billiton; o CEO, Thras Moraitis, também foi da Xstrata. Ambos são ligados à Vision Blue, um private equity focado em “materiais críticos”.
Outra acionista da empresa, a Denham Capital, já teve investimentos no Brasil como a geradora eólica Rio Energy, vendida à Equinor, e a Pontal Energy, também de energia renovável.
O anúncio do financiamento com o DFC veio um dia após o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ter se reunido em Washington com o vice-secretário de Estado, Cristopher Landau, para tratar de terras raras.
O Governo de Goiás disse que a reunião discutiu “parcerias estratégicas que o próprio governo americano propõe em relação a minerais críticos.”
Além da mina da Serra Verde, o Governo citou “outro grande projeto orçado em R$ 2,8 bilhões” que está em implantação em Nova Roma e Aparecida de Goiânia.
Também nesta semana, os EUA assinaram um acordo sobre minerais críticos com o governo argentino.











