A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, sofreu um revés político nesta segunda-feira após um plebiscito popular rejeitar uma proposta feita pelo seu governo para promover uma ampla reforma jurídica no país.
Cerca de 14 milhões de pessoas – aproximadamente 54% dos eleitores – foram contra a proposta. Aproximadamente 60% dos eleitores italianos participaram do referendo que ocorreu entre domingo e segunda-feira.
Entre as principais propostas do governo estava a criação de conselhos para monitorar as ações de juízes e promotores, algo que hoje é feito por uma única autoridade. A reforma também dificultaria que um juíz se tornasse um promotor, e vice-versa.

O governo defendia a mudança como forma de aumentar a independência do Judiciário e alegava que a proposta diminuiria a proximidade entre o juiz que preside um caso e o promotor.
Meloni disse que a proposta tornaria o sistema judiciário “mais justo, mais eficiente, mais meritocrático e mais livre.” Ela frequentemente acusa juízes de dificultar os esforços do Governo no combate à imigração ilegal e de tomar decisões com motivações politicas.
A oposição disse que as propostas colocavam em xeque a independência judicial.
Pesquisas divulgadas há algumas semanas indicavam que a maioria da população apoiava a proposta do governo, mas problemas de comunicação nas últimas semanas de campanha podem ter sido decisivos para a derrota de Meloni.
O cientista político italiano Roberto D’Alimonte disse ao New York Times que a proposta era tão complicada que grande parte da população não a entendeu plenamente e acabou votando de acordo com suas preferências partidárias – tornando a votação uma espécie de plebiscito sobre o governo Meloni.
Essa foi a primeira grande derrota da primeira-ministra nas urnas desde que assumiu em 2022. O resultado acende um sinal de alerta para seu partido, que enfrentará eleições gerais no próximo ano.
Em um vídeo publicado nas redes sociais antes do resultado final, Meloni disse que os italianos votaram “com clareza”e que respeitaria a decisão, mas lamentou a “oportunidade perdida” de modernizar o país.
Apesar da derrota, a premiê disse que não renunciará. Em 2016, o ex-primeiro-ministro Matteo Renzi abdicou do cargo após perder um referendo convocado por seu próprio governo.
Giuseppe Conte, o líder do partido de oposição Movimento Cinco Estrelas (ligado a movimentos de esquerda), disse que o resultado representa a abertura de “um novo momento, uma nova primavera política, em que os cidadãos são os protagonistas.”











