A Clubbi — uma startup que ajuda os mercadinhos de bairro a comprarem melhor seus estoques, evitando a ‘ruptura’ — acaba de levantar R$ 62 milhões numa rodada que vai financiar sua expansão comercial e o lançamento de uma vertical de crédito.

João Macedo teve a ideia de montar a Clubbi quando era o head de distribuição da Red Bull na América Latina. 

“Nos EUA, os grandes varejistas são muito fortes, então o processo de distribuição é basicamente focar nesses key accounts,” ele disse ao Brazil Journal. “Mas na América Latina isso é bem diferente. Em alguns países, como o Peru, os mercados de bairro chegam a representar 80% de todas as vendas do varejo alimentar.”

No Brasil, o cenário não é tão extremo assim — mas a oportunidade ainda é gigante.

Existem cerca de 400 mil mercadinhos de bairro, que respondem por 35% de todas as vendas do varejo (mais do que o Grupo Pão de Açúcar, Carrefour, Assaí e Atacadão somados). 

“A principal dor desses mercadinhos é que falta capital e espaço na prateleira para garantir estoque,” disse Marcos Adler, o outro fundador. “Eles operam com uma cobertura de estoque muito baixa e não têm uma boa organização do abastecimento, o que gera uma ruptura constante e faz com que eles percam vendas.”  

A Clubbi está resolvendo esse problema com um marketplace B2B que por enquanto oferece mais de 8.000 SKUs — tanto de fabricantes quanto de distribuidores e atacadistas — e que faz as entregas no dia seguinte à compra. 

A empresa já atende 2.500 pequenos varejistas no Rio e em Salvador e espera chegar a 7.000 até o final do ano com a entrada em outras cidades.

“Nossa solução dá fôlego para esses varejistas operarem e permite que eles deixem de se preocupar com ruptura,” disse Marcos. 

A tese dos fundadores, no entanto, vai além do marketplace de produtos. A visão é transformar a plataforma num canal de distribuição onde o varejista terá acesso a outros serviços, começando pelo crédito. 

A Clubbi vai começar oferecendo prazos maiores na compra das mercadorias e uma opção de parcelamento. Mais a frente, ela vai adicionar crédito para investir no negócio; ferramentas para ajudar no gerenciamento do fluxo de caixa; a opção de usar parte dos recebíveis do cartão para pagar o fornecedor; e até ajudar os mercadinhos a dar crédito a seus clientes, por exemplo, com um crediário. 

Num primeiro momento, a Clubbi vai fazer isso com capital próprio, mas a ideia é eventualmente usar parceiros. 

João diz que a startup também pensa em oferecer um software de gestão aos varejistas num horizonte de médio/longo prazo. 

A Clubbi não é a única que enxergou um filão nesse nicho. A Mercê do Bairro, a startup dos fundadores do iFood e Zé Delivery que levantou R$ 53 milhões em outubro, opera no mesmo mercado e com uma proposta parecida. 

As duas startups, no entanto, ainda não bateram de frente. Enquanto a Clubbi está atuando no Rio e em Salvador, a Mercê do Bairro tem focado seus esforços comerciais em São Paulo. (Gente, que tal um M&A?)

A rodada Série A foi co-liderada pela NFX, uma gestora de venture capital do Vale do Silício especializada em marketplaces B2B, e pela mexicana ALLVP, que foi um dos primeiros cheques da Cornershop. 

A rodada é a terceira da Clubbi, que já havia levantado outros R$ 28 milhões com a Canary, Valor Capital, ONEVC e Better Tomorrow Ventures. Todos, com exceção da Canary, acompanharam a nova rodada.