A Brava Energia nomeou o atual presidente do conselho, Richard Kovacs, como seu novo CEO no lugar de Décio Oddone. Um dos fundadores da JiveMauá, a gestora que está entre os principais acionistas da companhia, assumirá como novo chairman.
Na prática, as mudanças na C-suite visam acelerar desinvestimentos para destravar valor e ajustar o foco da companhia, disseram ao Brazil Journal fontes e analistas familiarizados com a estratégia.
Kovacs hoje lidera a empresa de energia termelétrica EBrasil, do empresário pernambucano José Cantarelli, que é sócia da Brava por meio do veículo Yellowstone.
O executivo assumirá como CEO da petroleira em 1º de fevereiro. Alexandre Cruz, o CEO da JiveMauá, vai liderar o board num processo de sucessão “previamente planejado”, segundo a companhia.
Sob a nova gestão, a agenda de desinvestimentos da Brava deve ser retomada, disse ao Brazil Journal uma fonte com conhecimento do assunto. “É uma visão pragmática. Focar no ‘core’. No gás, a ideia é vender. Óleo e gás são negócios com uma lógica completamente diferente.”
A Brava surgiu em setembro de 2024 com a incorporação pela Enauta da 3R Petroleum, uma junior oil que comprou diversos ativos da Petrobras.
Oddone, um veterano da indústria com passagens pela Petrobras e a Agência Nacional de Petróleo (ANP), era o CEO da Enauta e foi mantido à frente da nova empresa.
Apesar do otimismo inicial com a fusão, a sinergia entre os ativos das duas petroleiras vinha sendo alvo de questionamentos no mercado. Mais recentemente, o recuo da Brava em planos para venda da maior parte das operações onshore e de midstream que eram da 3R frustrou parte dos investidores.
A expectativa era que recursos das potenciais transações acelerassem a redução da alavancagem e abrissem espaço para dividendos. As ações da Brava recuaram 9% em 2024 e 28,4% em 2025, pressionadas também pela queda dos preços do petróleo.
O analista de uma gestora posicionada em Brava disse que não esperava a saída de Oddone, mas entende que a mudança “pode ser positiva”, com a nova liderança, indicada pelos principais acionistas, trazendo um olhar mais atento aos investidores e retomando os M&As. “O Décio é muito conhecido na indústria, mas já foi tudo implementado no lado operacional, já reduziu bastante o risco.”
O BTG avaliou as alterações no comando da Brava como “potenciais catalisadores” para os movimentos de gestão de portfólio, com foco no retorno aos investidores e desalavancagem. “Em geral, acreditamos que a mudança pode trazer dinamismo para a administração da companhia e deve ser bem recebida pelo mercado”, escreveu o analista Gustavo Cunha.
A Yellowstone, ligada ao novo CEO, Kovacs, tem 6,9% da Brava, mesma participação da JiveMauá. O Bradesco tem 12,2% das ações, e os fundos Somah, Printemps e Quantum formam um bloco com 7%, enquanto a Cobas Asset tem 5,1%.
A Brava tem valor de mercado de cerca de R$7,7 bilhões. A companhia encerrou o terceiro trimestre com alavancagem de 2,3 vezes. A produção em dezembro foi de em média 75 mil barris de óleo equivalente por dia, volume que coloca a empresa como segunda maior petroleira independente do país, atrás da Prio.











