O governo está mudando uma regra do leilão de capacidade de energia de março, melhorando a posição competitiva de empresas como a Petrobras e a Âmbar, da J&F, e deixando a vida marginalmente mais dura para a Eneva.
Ontem, enquanto o índice de elétricas da bolsa, o IEE, avançou 0,6% e o Ibovespa subiu 1,79%, a Eneva caiu 2,7% – o maior recuo diário do papel desde 16 de dezembro.
O Ministério de Minas e Energia reduziu a necessidade de contratação de capacidade de transporte para usinas ligadas a gasodutos, para um mínimo de 70%, de 100% antes. Na prática, é uma redução de custos fixos para esses projetos.
“Essa notícia é marginalmente negativa para Eneva, dado que reduz a vantagem competitiva de ativos fora do gasoduto vis-à-vis os ativos on grid“, disse o analista de utilities da XP, Raul Cavendish.
Enquanto a Petrobras e empresas como a Âmbar, da J&F, têm usinas ligadas a gasodutos, a Eneva apostou desde o início em uma estratégia gas-to-wire, construindo suas termelétricas “na boca do poço” na Bacia do Parnaíba, onde explora o gás.
Mais recentemente, também está apostando em térmicas abastecidas por gás natural liquefeito. O primeiro investimento nesta estratégia foi a compra de uma térmica a GNL em Sergipe, e agora a empresa quer ganhar no leilão contratos para a expansão de Sergipe, para uma nova térmica no Ceará, e a renovação de contratos no complexo de Parnaíba.
A Petrobras já divulgou que pretende viabilizar um projeto termelétrico no Complexo Boaventura, em Itaboraí (RJ), o antigo Comperj, que recebe gás do pré-sal por meio do gasoduto Rota 3.
A Âmbar tem termelétricas como Araucária (PR), comprada da Copel e próxima ao gasoduto Brasil-Bolívia, e a TermoCuiabá (MT), com gasoduto próprio também ligado à Bolívia.
O leilão de capacidade, que fechará contratos com termelétricas existentes e novos projetos, assim como expansões de hidrelétricas, é visto no mercado como uma oportunidade transformacional para a Eneva.
O Itaú BBA avalia que o evento é “um evento único em potencial de criação de valor” e que o otimismo de investidores vinha crescendo, impulsionando a ação da Eneva até então.
“Em nossa visão, a Eneva poderia gerar até R$ 6,70 por ação com todos os projetos greenfield em estágio avançado que mapeamos,” escreveram os analistas do BBA em relatório recente.
O papel da Eneva fechou ontem a R$ 21,46. Em 12 meses, acumula valorização de 98,5%, apoiado no otimismo com o leilão, e com chuvas fracas nos reservatórios de hidrelétricas gerando expectativa de maior acionamento das termelétricas da empresa.











