Nelson Tanure sofreu mais um revés em sua atuação no mercado de capitais.
Os credores Prisma, Farallon, BTG e Santander tomaram as ações da Light e da Alliança Saúde dadas pelo empresário em garantia de um empréstimo para a compra da Ligga Telecom (a antiga Copel Telecom) em 2020.
O consórcio de credores emprestou a Tanure R$ 1,5 bilhão por meio de uma debênture para financiar a compra da empresa, a maior provedora de internet do Paraná. Tanure pagou o principal da dívida, mas não deu conta de arcar com os juros de todo o período.
O saldo devedor em aberto é da ordem de R$ 1,3 bilhão, segundo uma fonte que acompanha o processo.
As ações de Tanure na Ligga foram cedidas em alienação fiduciária na emissão da debênture e, numa renegociação com os credores no meio do ano passado, as ações de Light e Alliança foram incorporadas às garantias.

Naquela renegociação, Tanure também obteve um prazo maior, de dois anos, para fazer os pagamentos. No entanto, na visão dos credores, a situação do empresário se deteriorou depois que a Polícia Federal passou a investigar se ele é um possível sócio oculto do Banco Master. O empresário já disse em nota ao Brazil Journal que nunca teve, “direta ou indiretamente, ações ordinárias ou preferenciais do Banco Master.”
Segundo uma fonte envolvida nas negociações, os credores avaliaram que Tanure “está sob pressão, totalmente sem crédito no mercado e não é a pessoa mais respeitosa com o caixa das empresas”, o que também deteriorou a situação das garantias. Assim, decretaram o vencimento antecipado da dívida.
O FIP Opus, que reúne os créditos dos quatro credores, ficou com 9,9% da Light e 49,11% da Alliança. Um FIDC da Prisma ficou, sozinho, com mais 10,7% da empresa de saúde. Nenhum dos credores quer ficar com as ações.
O BTG está conduzindo um processo de venda do controle da Alliança, que deverá ser feito via uma OPA (oferta pública de ações) com a adesão dos credores.
No caso da Light, as ações têm liquidez na Bolsa.
No caso da Alliança, a entrada de um novo controlador neste momento de dificuldades de Tanure poderá ser benéfica para a companhia. Já na Light, a preocupação é com o fato de o fundo WNT – com recursos de Tanure e de Daniel Vorcaro, dono do Master – ter se comprometido no plano de recuperação judicial com um aporte de R$ 1 bilhão após a renovação da concessão. Vorcaro já vendeu sua participação na Light para o BTG, que hoje tem 15% da companhia.
A Light disse que não comenta movimentos ou participações de seus acionistas.
As ações da Ligga não entraram na execução de garantias porque um M&A entre a empresa e a Brasil Tecpar está em estágio avançado – e os credores acharam melhor não interferir nesse processo.
Depois da venda das ações das três empresas para o pagamento dos credores, se sobrar algum dinheiro, ele irá para os veículos de Tanure que carregavam as participações. A participação dele na Light vale cerca de R$ 185 milhões; e, na Alliança, perto de R$ 380 milhões.
Tanure foi avisado pelos credores sobre a execução – as ações já estavam na SOG, o sistema de ônus e gravames da B3. “Foi só apertar um botão,” disse a fonte, acrescentando que o empresário concordou com a medida – num processo racional, mas não amistoso.
“Tanure não tinha opção. Ninguém mais dá crédito para ele e as companhias nas quais ele é acionista relevante acabam sofrendo os reflexos dessa situação,” disse a fonte. “Ele entendeu que era melhor que os papéis fossem para os credores para serem vendidos porque se continuassem com ele, as empresas iriam se deteriorar ainda mais. Era preciso preservá-las.”
Com dificuldades de crédito, Tanure já havia perdido sua participação na Prio, também executada por credores; e na EMAE, vendida para a Sabesp.
“Apenas na Prio, ele chegou a ter uma participação avaliada em R$ 12 bilhões, para se ter ideia da destruição de valor enfrentada por ele. Ele se esforçou muito para passar pelo que está passando”, disse uma fonte. Tanure não tem mais nenhuma interferência na petroleira, que há muito está sob o comando de seu filho, Nelson Queiroz Tanure.
Vários investimentos de Tanure na Bolsa foram feitos em parceria com o Master, como Ambipar, Gafisa, Light, Alliança, Oncoclínicas e EMAE.
Procurados pelo Brazil Journal, Tanure e os credores não quiseram falar.











