A SpaceX começou hoje a fazer parte do índice Nasdaq 100, e o JP Morgan estima que só a demanda dos fundos passivos deverá atrair um fluxo de US$ 3,4 bilhões para o papel.
Mas o peso inicial da SpaceX no Nasdaq 100 será relativamente pequeno, porque seu free float atual é de apenas 1%. Além disso, alguns grandes ETFs ainda vão demorar a incorporar o papel em suas carteiras por causa de regras estatutárias. Esses fatores vão limitar, ao menos no início, a demanda passiva pelo papel.
De acordo com o Wall Street Journal, há cerca de US$ 800 bilhões em fundos mútuos e ETFs que usam o Nasdaq 100 como benchmark. O maior deles é o QQQ, da Invesco, com quase US$ 500 bi em ativos.
A Nasdaq ajusta as ponderações do índice com base no free float, limitando o peso a três vezes o valor de mercado da empresa ajustado pelo número de ações em circulação.
Apesar de a SpaceX ter na tela um market cap de quase US$ 2 trilhões, ela será tratada por enquanto como se fosse uma companhia de US$ 300 bilhões, disse o Journal. A participação inicial no índice ficará em torno de 1%.
Segundo a CNBC, a SpaceX ficará abaixo de cerca de 20 companhias, entre elas Microsoft, Amazon, Tesla e Netflix. As de maior peso hoje são Nvidia e Apple, ambas com mais de 7% de participação no índice.
A empresa de Elon Musk já aparece em pelo menos 148 ETFs. Alguns chegaram a ajustar as regras estatutárias para agregar mais rapidamente o papel em suas carteiras. Mas a ação ainda vai demorar para ser agregada a alguns dos maiores ETFs do mercado, como os índices da S&P Dow Jones.
“A S&P decidiu manter as regras atuais da sua série S&P 1500 Composite (incluindo o S&P 500), as quais exigem que uma empresa apresente lucro tanto no trimestre mais recente quanto na soma dos quatro trimestres mais recentes,” informou a Vanguard.
Dessa maneira, os populares ETFs que seguem o S&P 500, como o VOO, da Vanguard, terão a empresa de Musk no portfólio apenas depois de junho de 2027.
“A indexação é concebida para refletir o mercado e proporcionar ampla diversificação, em vez de reagir a distorções de curto prazo decorrentes de IPOs,” disse a Vanguard. “Embora a inclusão acelerada [da SpaceX em alguns índices] mantenha a representatividade, os ajustes de free float podem ajudar a limitar alocações excessivas e a mitigar o impacto da inclusão de grandes IPOs.”
Entre os ETFs em que a SpaceX já foi agregada estão os que seguem o índice Russell 1000, como o iShares Russell 1000 e o Vanguard Russell 1000. Mas a participação da companhia é bastante pequena, de apenas 0,13%. No ETF Vanguard Total Stock Market, o percentual alocado é inferior a 0,2%.
A liquidez da SpaceX vai aumentar à medida em que forem vencendo os lockups de seus executivos e funcionários.
As restrições de venda caem em várias etapas, entre 70 e 135 dias após o IPO de 12 de junho. Mas para Musk (dono de 46% do capital total) e alguns grandes investidores, o prazo é de 366 dias.
Em seu IPO, o maior da história, a SpaceX levantou US$ 86 bi, com a ação precificada a US$ 135. Depois de uma forte alta nos primeiros dias, o papel devolveu boa parte da valorização. Hoje a ação caiu 6,8%, encerrando o dia abaixo de US$ 150.






