A Shake Shack está entrando no Brasil numa parceria com a BOLD, a holding que é dona do Outback, Abbraccio e Aussie no País. 

O acordo prevê que a BOLD opere como um master-franqueado da rede americana de hamburguerias, investindo na abertura e cuidando da operação das lojas. 

O contrato prevê que a BOLD abra pelo menos 40 lojas da Shake Shack até 2036, mas o CEO da BOLD, Pierre Berenstein, disse ao Brazil Journal que vê espaço para “centenas de lojas” nos próximos anos.

10 06 Pierre Berenstein ok

A primeira unidade deve abrir em São Paulo no primeiro semestre de 2027, em local ainda a ser definido.

“É uma marca muito icônica, que acreditamos ter um fit muito grande com o consumidor brasileiro,” disse o executivo. “Fizemos uma pesquisa com 4 mil consumidores brasileiros no ano passado e, apesar da marca não estar no Brasil, ela atingiu um nível de awareness muito alto. No awareness não estimulado ela atingiu um nível semelhante ao de marcas que já estão no Brasil há décadas.”

Fundada pelo restaurateur Danny Meyer em Nova York, a Shake Shack nasceu de um carrinho de cachorro-quente no Madison Square Park, aberto para ajudar a arrecadar fundos para melhorar a praça. 

O sucesso foi retumbante, com filas quilométricas de clientes ávidos pelo hambúrguer. Meyer – que até então só operava restaurantes com estrela Michelin – então transformou o carrinho num quiosque permanente, e depois numa rede de lojas.

Hoje a marca tem mais de 700 lojas em 20 países – mas na América Latina, está presente apenas no México e no Panamá.

A entrada no Brasil é fruto de negociações que começaram há mais de oito anos, em 2018. Na época, quando a BOLD ainda fazia parte da Bloomin Brands e não tinha a Vinci Partners como investidor, Berenstein e Mauro Guardabassi – que será o presidente da Shake Shack Brasil – começaram a conversar com a rede sobre a possibilidade de uma parceria.

As negociações estavam avançando, mas o início da pandemia, em 2020, paralisou tudo. 

“Quando passou a pandemia a gente já estava em outro momento, e eles também. A pandemia assustou todo mundo e ninguém queria fazer um movimento desses,” disse Mauro. “Depois que a Vinci entrou com a gente, no início de 2025, colocamos essa ideia de novo na mesa e eles falaram para colocarmos energia nisso.”

A chegada da Shake Shack faz parte da estratégia da Vinci de transformar a BOLD numa house of brands, com marcas icônicas e amadas pelo consumidor.

“A Shake Shack tem isso muito forte. Eles estão em 20 países e em todos eles são uma love brand como nos EUA. Eles conseguem replicar essa cultura muito forte em todo lugar que entram,” disse Carlos Eduardo Martins, o sócio e co-gestor de private equity da Vinci responsável pelo investimento na BOLD.

Segundo ele, o mercado de hamburguerias movimenta quase R$ 40 bilhões no Brasil e cresce entre 5% e 7% ao ano, com uma forte penetração do delivery.

10825 ad33c9e2 68d6 627b 8742 d3308926b28d

A Shake Shack pretende se posicionar no Brasil como uma hamburgueria premium, competindo com redes como Madero e Cabana Burger.  

Mauro defende, no entanto, que há diferenciais claros entre a Shake Shack e essas marcas. 

“O primeiro é a cultura de hospitalidade. Isso é algo muito forte na história da Shake Shack e algo que a gente também tem muito forte na BOLD. O segundo são os ingredientes e o produto. Não que os concorrentes não tenham qualidade, mas a Shake Shack tem características muito próprias que atraem os consumidores,” disse ele. 

A nova marca chega num momento de forte expansão da BOLD, que abriu 13 lojas este ano (12 Outbacks e 1 Abbraccio) e espera faturar R$ 3,5 bilhões. O crescimento da receita de janeiro a setembro foi de 6%, com um same-store sales de 2,1% e aumento de 1,8% no tráfego de clientes. 

Para Berenstein, a parceria com a Shake Shack também tem um significado pessoal. 

Ele lembra que assim que entrou na Bloomin Brands há quase 10 anos, Peter Rodenbeck (o executivo que trouxe o Outback para o Brasil nos anos 90) lhe deu de presente o livro Setting the Table: The Transforming Power of Hospitality in Business, escrito pelo fundador da Shake Shack, Danny Meyer.

“Uma das coisas que aprendi com esse livro é que serviço é um monólogo, e hospitalidade é um diálogo – é prestar um serviço que encanta,” disse Berenstein. “O Danny ensina no livro que serviço é quando você entrega tudo certo na mesa, e hospitalidade é como você faz o cliente se sentir, como se conecta com ele. É isso que sempre tentamos fazer com o Outback e que vamos fazer agora com a Shake Shack.”