Luis Stuhlberger disse hoje que o câmbio no Brasil está 25% fora do lugar.
“A gente tem impressão, pelos nossos modelos, que o fair value dele hoje é R$ 4,40,” disse o gestor mais respeitado do Brasil na Latin America Investment Conference, organizada pelo UBS esta manhã em São Paulo.
“Não significa que ele [o câmbio] vai para o fair value, e eu não estou prevendo que vai,” Stuhlberger disse mais tarde ao Brazil Journal. “Mas quando assume um Governo considerado bom – como foi nos casos de Temer e Bolsonaro – gerando otimismo com o Brasil…. ele tende a convergir.”
Para Stuhlberger, a fraqueza do real hoje é o fiscal descontrolado e a expansão fiscal. “Mas quando você muda isso, ou quando você cria essa perspectiva, o câmbio aprecia bastante. Quando foi criado o teto de gastos do governo Temer, o real negociou mais forte que o fair value. Além disso, o real se beneficia muito dessas políticas do Trump.”

O modelo proprietário da Verde usa quatro variáveis principais: o dólar contra uma cesta de moedas de EM, além do Dollar Index (DXY), que é o dólar contra todas as moedas; o diferencial de juros entre a Selic e o Fed Funds; o índice de commodities; e o CDS (Credit Default Swap) do Brasil, que mede o custo de proteção contra um calote do País.
“O curioso nisso é que o câmbio oscila brutalmente ao redor do valor justo: ele já andou extremamente apreciado em dados momentos e hoje está 25% depreciado em relação ao modelo.”
A depreciação do real hoje equivale àquele momento no final de 2024 quando o dólar negociou acima de R$ 6. “Naquela época, a diferença de preço para o fair value também era de 25%” disse Stuhlberger.
O CEO da Verde discorreu sobre o câmbio depois de ser questionado sobre o desempenho forte da Bolsa, enquanto câmbio e juros estão “um pouco atrasados”.
Na visão de Stuhlberger, a outperformance da Bolsa em relação a câmbio e juros é imensa.
“[Nesse fluxo de entrada], aparentemente o recado que o estrangeiro está nos dando é que, no fundo, ele acha que um ‘Lula 4’ não vai ser muito pior do que o que está aí hoje. Eu posso discutir, dizer que discordo. Mas esse movimento do gringo ignora solenemente a questão eleitoral. E o fluxo é muito grande,” disse.
Stuhlberger disse que fez as contas: os estrangeiros detêm nos EUA, entre dívida e equity, nada menos do que US$ 36 trilhões.
“Se 3% disso sair para vir para o mundo, é um estrago mundial em mercados pequenos como o Brasil. E por enquanto, a gente nem viu saída de Treasuries e de equities, o que estamos vendo – e até o André Jakurski falou isso ontem numa entrevista ao Brazil Journal – e eu concordo, é um pouco menos de entrada; não saída,” disse.
“É como estar de frente daquele caminhão FNM, que a gente chamava de FENEMÊ, desgovernado buscando ativos ao redor do mundo e você não sabe onde isso vai parar,” disse o gestor. “É um movimento muito superior à nossa discussão de eleição.”






