BOSTON – Os times da NBA nunca estiveram tão valorizados, e as transações não param de acontecer – a preços recordes.
De 2020 para cá, quase um quarto dos times mudaram de donos.
No ano passado foram negociadas as superpotências Boston Celtics e Los Angeles Lakers, e este ano já foi a vez do Portland Trail Blazers. A venda dos três times somou US$ 20 bilhões.
Por trás das movimentações está um momento de franca expansão da liga, que nesta temporada estreou seu novo acordo de transmissão de US$ 77 bilhões por 11 anos com ESPN/ABC, NBC/Peacock e Amazon Prime.
O contrato anterior, de 2016, era de US$ 24 bilhões por nove anos.
Os acordos de transmissão são feitos em nome da liga e divididos igualmente entre os times. Com isso, o salto de valores com o novo contrato aumentará a quantidade de dinheiro dividido entre as equipes.
Além disso, a NBA se consolidou como a liga americana mais global do planeta, e na temporada 2025-26 quebrou o recorde de mais jogadores estrangeiros na liga, com 135. Nas redes sociais, 75% dos seguidores da NBA são estrangeiros.
A popularidade da liga elevou o valor de seus 30 times a patamares inéditos, com o recorde de venda mais cara da liga atingido com a negociação dos Lakers por US$ 10 bilhões. Os Celtics saíram por US$ 6,1 bilhões.
Os números impressionam – ainda mais quando comparados aos valores praticados há cerca de uma década. Em 2014 o ex-CEO da Microsoft, Steve Ballmer, comprou o Los Angeles Clippers por US$ 2 bilhões.
O valor foi considerado alto na época, mas entendido como uma aposta na cidade, que tem o segundo maior mercado de mídia dos EUA.
Mas este ano, o Portland Trail Blazers, que está no 23º maior mercado de mídia da NBA, foi vendido por US$ 4 bilhões, um sinal de que este momento de alta pode ser apenas o começo, mesmo para times em cidades menores.
“Os valores realmente cresceram tão rapidamente que alguns proprietários estão aproveitando o momento,” Bryce Erickson, o managing director da Mercer Capital, uma consultoria especializada na avaliação de ativos esportivos, disse ao Brazil Journal.
“Agora, com os Lakers e os Celtics – que são sem dúvida as duas das principais franquias, ambas sendo negociadas em um curto período de tempo por valores tão altos – isso pode superestimar o quanto uma franquia vale. É uma daquelas situações em que todos os barcos sobem com a maré. E acho que a maré da NBA subiu.”
Erickson participou da venda do Charlotte Hornets para um grupo de empresários que levou o time para Nova Orleans em 2002.
“Lembro de perguntar por que alguém pagaria tanto por um ativo com desempenho tão ruim, e a resposta era baseada em perspectiva, futuro e crescimento. Os novos donos do time antecipavam, embora não pudessem prometer, que a economia da liga melhoraria, que a receita da NBA começaria a atingir um nível onde mais equipes começariam a lucrar ou pelo menos atingir o breakeven. Eles estavam 20 anos adiantados.”
Apesar da situação, a NBA não está imune a críticas. O empresário Mark Cuban vendeu sua participação majoritária no Dallas Mavericks em 2023 após ser um dos proprietários mais midiáticos da liga por mais de duas décadas. Segundo ele, os donos atuais precisam investir em terrenos e imóveis ao redor da arena para garantir novas fontes de renda que compensem os custos de comandar o time.
Mesmo com a reclamação de Cuban, um levantamento da CNBC mostrou que a receita média das 30 equipes da liga durante a temporada 2024/25 foi de US$ 416 milhões, 6,7% a mais que na temporada anterior. O valor médio de uma franquia da NBA é agora de US$ 5,52 bilhões, 18% mais do que um ano atrás.
Além dos Lakers, os outros dois times avaliados acima de US$ 10 bilhões são o Golden State Warriors (US$ 10,8 bi) e o New York Knicks (US$ 10,1 bi).
No mês passado, a NBA aprovou a criação de dois novos times, que serão sediados em Las Vegas e Seattle.
Expansões costumam ser difíceis de aprovar nos esportes americanos, já que as receitas da liga são divididas igualmente. Mas o momento é tão favorável que os donos dos times entenderam ser mais importante colocar a liga nestes mercados do que manter a divisão financeira como está.
A NBA também estuda criar uma liga europeia, que pode ou não contar com clubes de futebol como membros.
Ainda que os times da NFL valham mais do que os de NBA, a trajetória ascendente da liga é o que atrai novos compradores. Só o novo acordo de transmissão fará com que as receitas dos times subam em torno de 20%, e a possibilidade de explorar o mercado europeu indica que a arrecadação da liga pode continuar crescendo.
“Os donos este ano receberam o maior aumento de receita de mídia de todos os tempos, e o atual acordo coletivo de trabalho garante que os jogadores não fiquem com uma fatia muito grande do dinheiro de transmissão, então ainda sobra bastante para os proprietários,” disse Erickson. “E a liga vive um momento tão popular que está indo para Seattle e para a Europa, o que significa que sim, haverá mais gente comendo o bolo, mas o bolo está crescendo muito rápido.”
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